Quarta-feira, Setembro 16, 2009

Necessidades

Necessidades, temos muitas e das mais surpreendentes. Temos necessidade das coisas básicas, fundamentais à sobrevivência. Precisamos também de tudo aquilo que transcende e encanta, dos devaneios da beleza e da realização. Ansiamos e dependemos da continuidade, pois nossos finais felizes nunca se satisfazem com o fim em si mesmos.

Mas devemos ter por certo que há necessidades que não nos agradam a priori. São aqueles princípios e limites que muitas vezes nos frustram ou até desanimam. É o retiro da alma, o silêncio do coração turbulento, a mudez das muitas falas possíveis. Somos, de fato, cativos da paz, que nem sempre acontece sem esforço e sacrifício. Precisamos da estratégia da reflexão, do nosso lado mais intimista e íntimo. Sofremos com a distância de nossa própria consciência porque necessitamos do apaziguamento das necessidades mais alarmantes, das urgências que sufocam, dos grandes problemas que nos desafiam, das limitações que nos amedrontam.

Novas e surpreendentes necessidades são as que se revelam como boas porções das mãos doadoras, que acabam nos denunciando que não atentávamos para a carência dentro de nós mesmos. As necessidades que temos e não apenas nos sabemos ser responsáveis. O cuidado de nossa vida, à parte dos cuidados que nossa vida especula sobre o mundo.

Somos cativos da paz que construímos sobre as demais formas de apego.

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

Fé durante dias maus. (Meu artigo para o Jornal Batista - Edição de Agosto)

“Contudo, quando vier o Filho do Homem, porventura achará fé na terra?” - Lucas 18.8b.

Há tempos em que a igreja luta para ser aquilo que se espera que ela seja. Há séculos tem-se lutado pela pureza da fé e do Evangelho de Jesus. Há milênios, a espera pela volta do Filho do Homem tem-se feito durar. No entanto, esta não é uma verdade unilateral. Existe uma expectativa da parte de Deus a respeito dos que se dizem seguidores de Cristo. Permanece a nossa demanda, nossa responsabilidade como membros do corpo do Filho, de levar a sério a Missão a nós confiada. E pergunto-me: Como temos entendido essa missão? Em que termos a concebemos? Trata-se de uma empreitada rumo à divulgação da boa nova? Obviamente que sim. E somente isto?

O Senhor Jesus deixou para os seus a grande responsabilidade e privilégio de não somente pregarem o Evangelho, como também de fazerem discípulos dele. Desde sua gênese, a mensagem de Jesus se constitui como uma revisão de vida e não somente uma ideologia a ser aderida, admitida. O que nos aflige a alma em nossos dias é que possamos fazer desta simples verdade qualquer coisa diferente disto. E é sempre perturbador falar desta simplicidade, porque a grande maioria já julga conhecê-la, o que pressupõe ser esta uma realidade vivida, praticada pela maior parcela dos cristãos. Contudo, o que se vê em nossos arraiais, na prática, parece contradizer aos berros que o coração de muitos cristãos estejam enlaçados à mensagem de Jesus. E uma temeridade é que talvez este distanciamento não se deva ao desconhecimento, à ignorância a respeito de suas palavras. A bem da verdade, é tendencioso - porém não inautêntico - se afirmar que a grande crise de nossas igrejas seja a permanente fragilidade de caráter, mas este não é ainda um discurso satisfatório, pois se arrisca a passar por moralista ou, no mínimo, reincidente. Mesmo assim, mesmo com tanto “conhecimento da verdade do Evangelho”, ainda travamos séria luta contra o pecado interior, pessoal e/ou coletivo; contra a fraudulenta máquina de piedade que transforma muitas congregações em casas de entretenimento e autopromoção. E, estejamos certos que este não é um privilégio das igrejas neopentecostais, nem das comunidades evangélicas e outros ministérios do gênero. Isto é intrínseco a nós, homens e mulheres dotados de absoluta alienação da santidade deste Senhor que está pra voltar. Pessoas que ainda cedem facilmente à conveniência, enquanto outras são desafiadas solenemente por sua incoerência ou cinismo.

O alarme que sempre ecoou aos ouvidos dos que um dia ouviram “o que o espírito diz às igrejas” parece ser abafado à medida que a pura fé em Cristo cede espaço a toda e qualquer satisfação cujo resultado exclui ou minimiza sua honra. Talvez a confusão se dê justamente porque nem sempre honrá-lo traga resultados aparentes e imediatos. É preciso que se diga que, ainda assim, é fundamental darmos crédito à nossa pregação.

A parábola narrada por Jesus em Lucas 18.1-8 fala de um juiz iníquo, que a ninguém honrava, e de uma viúva com um sério problema a ser resolvido: um adversário. Ao fim da narrativa, Jesus deixa claro que, apesar da ausência de caráter do juiz, a viúva teve seu pedido aceito, devido à sua perseverança. A grande luz deste texto é que ele não reflete a força da insistência que devemos ter em pedir coisas a Deus, como propõe grande parte das interpretações, mas sim que a viúva continuou crendo contra as circunstâncias desfavoráveis: o adversário e o descaso do juiz. A beleza deste ensino de Jesus é justamente focada na fé da mulher. Esta fé que a permitia não somente insistir no que queria, mas sobretudo não se render ao seu adversário. A fé que a forçava a insistir com um juiz corrupto a respeito da autenticidade de seu pedido, de sua relevância, de sua seriedade. Talvez seja justamente esta a fé que nos falta, da qual temos profunda carestia. A convicção capaz de nos firmar nos valores bíblicos e, muito além deles, transformar nossa existência como seres humanos. Não seria esta a fé ansiada pelo Filho que retornará a nós como juiz? Acontece que se nem mesmo os homens e mulheres de Jesus valorizarem seu relacionamento com Deus e com o próximo a partir desta suma importância, como esperaremos a renovação de todas as coisas? Não por acaso, esta parábola segue tantas outras em que Jesus ensinava sobre o Reino de Deus. Um Reino que deveria ser vivido pelos crentes, acima de qualquer outra expectativa terrena. Um Reino sem fim, de justiça e amor. Mas o que explica tamanha inadequação de tantas de nossas atitudes a este reino senão a ausência de fé em sua existência, o descrédito quanto a sua veracidade? Sobre este Reino de Deus, o transformamos em fábula, ficção? Por que cedemos ao adversário e desistimos de lutar pelos valores deste Reino senão por ausência de fé?

A fé em Jesus Cristo nunca foi somente o conhecimento sobre seus ensinamentos, tampouco de sua pessoa. A fé que converteu a maioria dos apóstolos foi professada nos detalhes de suas vivências. Foi prorrogada na ausência do mestre. Foi a prioridade de suas vidas. A fé mais pura e verdadeira foi aquela proferida enquanto o Senhor estava “escondido”, oculto, em expectação. Hoje, ainda, há cristãos lutando pela proeminência desta fé convicta, nada óbvia, durante dias maus. Sejamos destes que, dignamente lutam contra os poderes indignos, que resistem aos adversários permanentes e à conveniência de nossa realidade como Igreja. Se o caminho a ser seguido nos for estreito de fato, confiemos na justiça do bom juiz que nos aguarda ao seu final.

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Vem aprender

Se fartou de esperar
Já perdeu, já cansou
Se moveu de lugar
Já parou, desistiu
Se convenceu que não dá mais
Se abortou, calou os ais
Mas no Mestre percebeu
Que a vida é dura
E precisa caminhar

Quando não há como ir,
Nenhum passo dar a mais
Quando chega a doer,
Quando já nem dói mais...
É mister recorrer
Aos doces pés de um rei
Tão fiel
Que o caminho ao céu refez

Volta já, olha Deus!
Vem se entregar...
De joelhos, se prostrar e adorar
Deus recebe o teu chorar

Volta já, clama a Deus!
Vem se entregar...
De joelhos, se prostrar e adorar
Deus te ensina a caminhar

Vem aprender de Jesus,
O manso e humilde Jesus
Vem aprender de Jesus,
Que seu fardo carregou

Vem aprender de Jesus,
O calmo e humilde pastor
Vem aprender do Senhor
Que perseverou em te amar.




(em Junho deste ano)

Quarta-feira, Julho 15, 2009

Caminhos Aplanados (Jorge Camargo)

“Bem aventurado o homem cuja força está em ti
Em cujo coração se encontram os caminhos aplanados.”
(Sl. 84.5)

No lugar de mais difícil acesso
Entre as escarpas mais íngremes
No solo duro e irregular
Nascido dos conflitos contra o tempo,
Das agruras da dor,
Dos desenganos -
Lá reside o meu coração

Ali moram os meus desejos,
Minhas inclinações, ambições
Planos e projetos
Que a ninguém...ninguém....
...Confio.

Uma transformação topográfica e urbana em um lugar assim
Só pode ser promovida
Pelo paisagista, pelo arquiteto que o concebeu
Por quem o amou antes
De vê-lo como está,
O amou antes
Que viesse a existir,
O amou a ponto de concebê-lo
E há de amá-lo
Mesmo se deixar de ser lugar
Para ser lugar comum.
Ou se for de passo em descompasso
Até chegar a lugar nenhum.

No dia do não-dia
O coração há de encontrar
Posta sobre a sua mesa
A ceia da restauração:
Pão fresco e quente,
Óleo de azeite amaciante para o chão da alma,
E a taça cristalina
Repleta do melhor dos vinhos.

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Pureza.

Ah...a doce pureza que viajou
Que já não é figura fácil em nossas vidas
Que deixou a saudade da inocência mais bonita
Essa verdade boa de quem espera além

Ela mesma é a essência do que é forte e concentrado,
De tudo aquilo que é homogêneo e sem adulterações
A suave graça das convicções e das firmezas de caráter
Ah...a doce pureza que vaga...
...que se tornou tão vaga pra nós

Em sua ausência, toda dor é amargura,
Toda busca inútil, toda fé ilusão
Sua lembrança nos abala, alarma a consciência
Evoca um novo esforço,
Pede sua urgência

Grande obra de Deus, digna atitude do servo
Aprazível vida no eixo... sensível canto de paz
É a bondade visível,
A realidade intransponível
De um reino santo demais.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Pretérito. Perfeito...

Todo mundo diz que o nosso passado nos deixa marcas. Todos, de certa forma, já se viram vítimas dele. Outros sentem saudade enquanto outros o reprimem.

Sabe, eu tenho achado ultimamente que o passado não está com essa bola toda não. Sem me alongar, acho que o passado é aquele “primo distante” de quem menos lembramos na vida do que do próprio inimigo ao lado. O que eu quero dizer é que é mais divertido gastar tempo com coisas que são desafiadoras no presente do que imaginando os “futuros do pretérito” que nem existiram. Essas suposições sobre aquilo que poderia acontecer ou aquilo que poderíamos ter deixado de fazer são construções que erguemos quando, agora, não nos resta nada com que nos importar.

Pois bem, o presente é meu desafio de hoje. Ele sim me mostra coisas novas, diferentes. O passado não muda e tampouco pode mudar alguém. O passado só me mostra os fracassos daquilo que hoje não existe e as esperanças daquilo que, se hoje posso viver, devem me impulsionar a querer coisas novas.

Se o passado nos deixa marcas, nem todas as marcas nos trazem saudade.
A nostalgia que vale a pena é aquela que não nos deixa confusos quanto à dimensão de nossa mudança.

E mudamos.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

"Aprendendo com o Melhor" (meu micro sermão para a turma de teologia).

Tema: “Aprendendo com o Melhor”.

Texto: Mt. 11.28-30; 17.1-8; 14-21

Na conjuntura atual de nosso mundo, o texto de Mt 11.28-30, embora bem conhecido por cristãos e não-cristãos, parece trazer consigo um entendimento fácil e uma adesão óbvia e esperada, mais do que a maioria das palavras de Jesus. (Gandhi chegou a afirma certa vez que os ensinamentos de Jesus eram tão profundos e valiosos que, se de todos os escritos do mundo, restassem apenas as palavras do Sermão da Montanha ao homem, este já teria todo o material necessário para aprender a viver bem diante de Deus e com o próximo). Sim, porque o Senhor do “vinde a mim” sempre acaba por encontrar espaço nos corações carentes e cansados das pessoas; parece mesmo soar como música aos ouvidos de quem precisa de paz...é uma troca que todos estão dispostos a fazer: o escambo entre os pesos terríveis que carregamos na alma e o fardo suave, o jugo leve...o afago de um Senhor compreensivo e auxiliador.

Entretanto, esta proposta de Jesus não se fixa apenas neste objetivo primário do alívio ao cansaço, mas se estende a um objetivo mais prático: o de fazer dos aliviados aprendizes, pois o “aprendei de mim” aqui se situa entre o descanso primário de quem vai a Cristo e o descanso da alma de quem o apreende a partir dEle mesmo, e não apenas “sobre ele”.
Pois bem, mas como aprender a partir de Jesus? É tão somente sabermos que ele é manso e humilde de coração? Isto é obvio e devemos imitá-lo, mas além disto, devemos busca-lo, ir a ele afim de receber dele mesmo a revelação de quem ele é.

Foi mais ou menos isso que Jesus fez ao chamar Pedro, Tiago e João – seus discípulos mais íntimos - para um encontro sobrenatural, uma experiência ímpar no alto monte, em Mt.17.1-8. Naquele momento, mais do que falar e fazer, Jesus revelou parte de sua aparência gloriosa àqueles homens; ele se mostrou como era. Além dele, Moisés e Elias, homens considerados como santos pelos judeus, venerados por séculos, verdadeiros ícones para os discípulos aparecem ao lado de Jesus para ratificar sua presença gloriosa. O que choca nesta passagem, entretanto, não é só imaginar a grandeza desta experiência, mas pensar que, diante desse evento inédito, Pedro não demonstra a reverência equivalente. Ele, na verdade, parece se tornar tão íntimo dessas grandes figuras que até propõe a Jesus que ficassem ali, abrigados nas tendas, por mais tempo, pois era muito bom estar entre eles.
Refletindo sobre isso, somos obrigados a considerar que o Senhor Jesus tem nos convidado a aprender dele, a caminhar juntamente com ele para experiências muito significativas e profundas, as quais muitas vezes sequer discernimos. Isto significa dizer que embora nos consideremos íntimos do mestre e tenhamos acesso a “grandes encontros especiais” com “ícones” de hoje, corremos o grande risco de, a exemplo de Pedro, esquecer a reverência e a fascinação diante da revelação de Jesus e querermos permanecer inspirados e confortáveis na companhia dos grandes homens de Deus.
Mas a palavra do Senhor, que se dirigiu tão clara e objetivamente a Pedro, também nos fala hoje que devemos aprender de Jesus, a partir dele, de quem ele é...não apenas irmos a ele e descansar, tampouco andarmos com ele e achar que o conhecemos porque fomos chamados a experiências privilegiadas. Enquanto fazia a proposta absurda e irreverente, Pedro é calado pela voz de Deus que exclamava: “Este é o meu filho amado, o meu prazer, a minha mensagem, escutai-o!”. É exatamente neste momento que a percepção dos discípulos sobre Jesus os obriga à prostração e ao temor.
A partir disso, Jesus os toca, os acalma e os levanta...Jesus novamente os chama ao enfrentamento com a realidade, com a planície, à multidão alvoroçada e aos outros discípulos perdidos diante das opressões dos espíritos na vida de um menino endemoninhado no v.14. Ali, Jesus desabafa que ainda nos falta aprender... Precisamos aprender a ser crédulos e ter um coração sem perversidade a fim de sermos servos úteis ao mundo, competentes no reino.
Que não tenhamos o pensamento de que basta irmos a Jesus ou caminhar com ele...antes, devemos aprender dEle, receber dEle, ouvi-lo, querê-lo, reverenciá-lo, discerni-lo como Deus poderoso e bom, que nos pode usar para sermos úteis, de fato, na realidade da planície.

Há ainda muito que aprendermos do Senhor. Assim como Pedro, Tiago e João aprenderam e se tornaram sustentáculos do Caminho, dos cristãos primitivos. O Senhor tem nos chamado a aprender dEle em nossas experiências e a partir dos outros, o senhor nos chama a trilhar suas vias de cruz e de glória, o Senhor já nos lavou os pés para anunciar a paz. Contudo, ainda precisamos ser cristãos dependentes, reverentes e transformados pelo Senhor Jesus se quisermos ser práticos e úteis na vida das pessoas às quais temos sido enviados em Seu nome.

Segunda-feira, Junho 15, 2009

"Desde sempre, o Verbo"

Verbo, Tu és o verbo
Palavra, a mensagem de Deus
O amor que Ele guardou
Para se revelar,
Revelar aos seus

Fonte de água corrente
Que jorra e finda toda sede
Sendo Deus, se fez homem como eu
Jesus, pra sempre rei


Doce a tua voz,
Foi tão fácil te ouvir,
Senhor,
Te contei minhas verdades e a verdade estava em Ti!
Abriste os meus olhos, me chamaste a te servir,
Viver teu evangelho,
Ver tua palavra se cumprir



E hoje, ao dobrar meus joelhos,
Buscando tua revelação,
Lendo a tua santa palavra
Aqueço a fé em meu coração

Tua fidelidade
É verdade e vai se cumprir
Porque tu és o verbo vivo,
Antes de tudo, eras Cristo -
A palavra de Deus para mim...


Doce a tua voz...





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(Resgatando minhas canções antigas...esta, de 30 de Março de 2006 13:32)

Sábado, Maio 02, 2009

É o que eu sempre digo...(retendo o que é bom)

Pois é. A cada dia me vejo mais eclética musicalmente. E o interessante é que meu senso crítico também se apura sempre...o que, de modo algum, significa dizer que abro mão e/ou descarto sumariamente aquelas canções e aqueles estilos que me ajudaram a construir minha identidade, minha história mesmo.

Este prólogo apenas para ratificar o que declaro exaustivamente: odeio rótulos. Uma prova disso é o fato de hoje ter me deleitado ao ouvir canções antigas (da época da "minha infância querida, que os anos não trazem mais...") do Mattos Nascimento.

Ei, ei...um aviso aos que se retorcem ao ler isso...estou falando de música, e, convenhamos, o cara é fera demais, um dos maiores intérpretes da música evangélica brasileira! Não me refiro aos arranjos, à produção de seus cds, à sua conduta e teologia...estou falando do mega talento do cantor Mattos Nascimento, sua competência em ser original, sua capacidade de trazer vida a uma canção sem muitos recursos a mais...dentro da musicalidade pentecostal é um grato destaque.

Sim, é claro que há influência de suas canções em minha caminhada cristã, o que em parte justifica essa minha simpatia, me ajudando a ser mais condescendente quanto aos demais aspectos musicais acima referidos, mas...a exemplo do outro "monstro" chamado Álvaro Tito, a família Nascimento continua me levando às lágrimas e aos sorrisos em suas canções, em suas interpretações muito menos ordinárias do que certas críticas preconceituosas e pouco imparciais...sejamos ponderados.

*Êta musiquinha maravilhosa:

Sou de Deus (Mattos Nascimento)

Minha vida é só cantando
O que devo mais fazer
Se liberto estou com Cristo?
Eu sou!
Eu não ando mais em trevas
Já brilhou pra mim a luz
Confio só nesse nome: Jesus!
Em minha vida, esperança
De um dia entrar no céu
E ele garante assim
Eu já fui triste demais
Agora tenho paz
Há paz em mim
Eu agora sou de Deus! (3x)
Eu vivo só pra Deus (2x)
Todo homem é iludido
O inimigo o atrai
Oferece muitas coisas e, assim, cai...
Jesus é a liberdade
Conquistou na dura cruz
Confio só nesse nome: Jesus!
A última esperança pra esse mundo é o Senhor
Entregue a ele teu sofrer...
A solução vai te dar
Venha como estás,
Jesus é a paz.
Eu agora sou de Deus...
Obs: E cá estou, contando as horas p/ ir apreciar, ouvir e cantar com o Gerson Borges, Jorge Camargo e outras jóias da música cristã brasileira...eclética, eu?! (risos)

Segunda-feira, Abril 20, 2009

Nossas justiças são trapos de imundícia.

Às vezes precisamos escrever certas confusões que surgem em nosso pensamento. Este, então, é um momento de alguma reflexão sobre algumas coisas que tenho observado nos últimos tempos. Coisas corriqueiras, voláteis, mas muito esclarecedoras, por outro lado.

Vivo a fase de perceber amplamente as injustiças do mundo. Sendo mais objetiva e pontual, as injustiças de mundo, já que o mundo já é injusto histórica e essencialmente. Pois bem, o que me perturba com as injustiças é o fato de elas, na grande maioria das vezes, se camuflarem entre o que é correto. Explico: nunca pensei sentir “saudade” do conceito de que injustiça é algo desonesto, pervertido, impróprio, desconexo, indevido, inaceitável e repugnante. Digo isto porque o que vejo é o descaramento da injustiça não fingida, mas manipulada, imposta como reta, com cara de justa e legítima. Essa injustiça conveniente e endeusada...a injustiça pop, que todos aceitam. Sim, a injustiça de hoje não é apenas suportada, ela é bem quista. E tudo por causa do capitalismo cool, do individualismo, da lei do toma-lá-da-cá intrínseca em todos nós, seres humanos injustos por excelência, propagandistas de nossas obras mortas.

Essa – que agora opto, deliberadamente, chamar de safadeza – está presente na corrupção nossa de cada dia, nas nossas omissões mais graves, nos nossos “mea culpa” mais ordinários e previsíveis. São os discursos que legitimam o caráter mau elaborado que os fortes têm e os fracos asseveram. São as cabeças reclinadas, afirmativas ou simplesmente vazias que preferem ignorar, não responder, não se envolver. E vejo que esse é o câncer da nossa raça humana: o não-envolvimento. Este câncer se alastra, nos toma por completo a ponto de somente nos envolvermos com aquilo que nos interessa, deixando o poder na mão de quem fez por merecê-lo e não por quem se tornou digno a ponto de tê-lo.

Justamente neste ponto é que constato minha vergonha, já que minha injustiça fundamental não me permite ser isenta e isentar ninguém, além de Jesus. Porque, não me é cabível outra pessoa tão justa e tão digna. Aliás, ele é o justo porque apenas ele possui essa dignidade no tempo eterno, o que implica dizer que Jesus Cristo não assumiu um poder, não fez por merecê-lo nem foi promovido na cruz...ele sempre foi digno em essência (não sendo esta uma mera atribuição) e isso se demonstrou em seus atos de justiça. Talvez por isso é sejamos viciados na busca pela nossa justiça, pelo nosso poder e pela nossa auto-afirmação: nunca fomos dignos. Nenhuma de nossas obras se inicia pela nossa dignidade e, por isso, temos a necessidade de fazer por merecer em tudo. Não nos rendemos à graça, não nos acostumamos a ela porque nada que fazemos possui essa motivação gratuita. Tudo o que procede de nós objetiva a vantagem e o interesse... até nossas doações, nosso voluntarismo. Estamos o tempo todo justificando e autenticando nossas atitudes e nosso caráter. Nada em nós nasce de nossa bondade desinteressada, de nosso amor puro e invariável. Quando o ser humano poderá amar o outro invariavelmente, se até o nosso amor a Deus varia o tempo todo, de acordo com a maré? E a nossa fé segue no mesmo barco...e julgamos Pedro!

Como o Eterno se dignifica nesse prisma! Como ele sempre foi superior a nós, conhecendo desde sempre nossa insignificante ânsia pelo mérito, pela dignidade que não temos, pela justiça que sequer alcançamos ou compreendemos! A esse Jesus todos veremos. Porque ele se envolveu...pelos outros, e não por si mesmo. Há diferença em se entender que a cruz consentiu poder a homens antes perdidos e não a Deus. A vida de Jesus veio a ser o mérito pelo qual o homem pode chamar Deus de abba, "paizinho", e esta injusta sentença tornou-se a graça que nos justifica. A nossa justificação carecia vir por ele. Do Cristo que nos revelou a justiça divina.

Nele, a nossa ânsia se saciará. Seremos finalmente fartos e livres dessa fome e dessa sede, dessa busca e dessa desolação. Seremos livres de nossa própria injustiça e indignidade. Porque nele somos feitos justos exatamente quando desistimos de o ser.

Sábado, Abril 18, 2009

Eu guardei as lágrimas.

Eu guardei as lágrimas,
Registrei para delas me lembrar
Eu me apropriei deste momento
E entendi que era necessário
Expus ao céu a minha queixa
Falei e calei...me deixei sofrer
Retomando a consciência de que
Não acredito no acaso

Guardei as imagens das dores
Que não me deixavam dormir
E pensei bem correta:
Que Deus as tem em sua visão
Sim, ele as tem.

Não posso mais acreditar na obviedade
De um lamento que não cessa.
Que busca um alento e não encontra,
Duma porta permanentemente fechada,
Duma ferida eternamente aberta,
De um lapso de memória perverso
Que me deixa esquecer que sou
Exatamente aquilo que ele me quer ser
Em seu Filho
Em seu verdadeiro e exato amor

Guardei as lágrimas como a recordação
De um passado passando,
De uma fé inexistente,
De uma esperança morta,
De uma necessidade malograda,
De uma justiça não saciada,
Registrei o momento de uma entrega
Sem reservas, sem forças e sem debates
Na hora em que o peito deitou um choro digno
Desse render-se

São as mudanças que se me anunciam
Que me fizeram e fazem chorar
Porque ao me transformar
Obrigo-me a truncar
As sobras, os restos, os lixos de mim
Obrigo-me a tirar aquilo que não me cabe querer e sentir
Forçoso se me torna ser alvo de uma restauração
Emergencial, não circunstancial
E as circunstâncias não subsistem...
...Como as lágrimas que guardei.

Como as lágrimas que, sei,
Ele, desde sempre, conheceu.

Segunda-feira, Março 23, 2009

Minha nova canção

Sim, eu componho. Mas a maioria fica na gaveta, por eu ser bem limitada em compor melodias. Essa não. Essa veio completa das mãos de Deus...sim, essa veio completa do meu coração moldado por Ele.
Espero cantá-la em breve.



O Porquê...

Por que eu não consigo enxergar o que preciso?
Por que é tão frustrante caminhar assim...só?
Por que eu sempre corro pro meu mal,
se a garantia do meu Deus
é que comigo estará eternamente?

Por que me é impossível perceber
e conceber todo esse bem
que Sua palavra prometeu?
Por que tudo o que eu faço não me traz
nenhum retorno, força não há
pra no caminho me alegrar?

Essa foi a dor da minha alma!
Esse foi o porquê que a angustiou
Mas o Senhor soube livrá-la
Do poder da morte, Ele tudo ultrapassou...
Como não sentir toda perda,
se Jesus, na cruz, se fez oferta?!
Doou-se, abriu mão, expôs seu coração
Pra que pudéssemos saber o porquê.

...pra que pudéssemos entender.

Domingo, Dezembro 28, 2008

Imensamente grata!




Feliz de quem sabe sonhar
Um sonho jamais chega ao fim...
É feito criança, revive a esperança
Do "não" sempre busca um "sim"!


Feliz de quem sabe chorar
O choro é o riso da dor
Chorar com quem chora refaz toda história
Transforma a tristeza em flor


Se a planta brotou, a semente morreu
Se o dia findou, o luar já nasceu
Pois tudo se encontra, tudo se dá em amor


A guerra findou porque alguém se rendeu
O medo acabou porque a paz renasceu
Não há compromisso se não houver Amor


Feliz de quem sabe esperar
E espera somente em Deus
Faz dEle a esperança, o sonho, a mudança
Lhe entrega os caminhos seus.



"Lembra-te também do Teu Criador nos dias da tua mocidade (...)"
Ec. 12.1

Sábado, Dezembro 27, 2008

24 anos.

Estou à véspera de mais um aniversário. E, como em todo ano, não faltam comentários e perguntas sobre o que vou fazer no meu niver. Também é comum nessa época eu começar a refletir mais que o de costume sobre tudo e eu mesma. Até porque essa bendita data se interpõe ao natal e o ano novo. É uma época naturalmente cheia de festas, retrospectivas, promessas e esperanças.

Pois bem, o que eu mais quero fazer no meu niver é: NADA. Sem forçação de barra, não estou animada – nem desanimada - pra fazer nada. E digo o que isso quer expressar, afinal: quero a quietude, ou melhor, a solitude. Há pouco tempo tenho entendido melhor a naturalidade desse momento pra mim e sua distinção da solidão. Não ando só, nem me sinto só como em outras épocas do ano (em alguns momentos, considerada “acompanhada”), apenas quero a paz encontrada em momentos íntimos com Deus, a exemplo do próprio Jesus. Nessas horas de quietude e reflexão, eu consigo ver tudo com mais clareza e sobriedade... Eu tenho muito mais satisfação sobre o que vejo em mim porque encontro a presença de Deus, ouço sua voz de uma maneira indubitável e emocionante.

Percebo como é difícil para os amados ao meu redor entenderem isso de uma forma natural e saudável. Quando respondo (meio sem jeito, confesso) que não quero fazer nada neste dia, sinto o grande constrangimento da suspeita de algum problema comigo. Estaria eu desgostosa, chateada, depressiva, triste afinal? Fico sem jeito em notar a preocupação desses íntimos, mais chegados. Mas Deus sabe que não se trata disso, absolutamente. Estou apenas tentando “reencontrar a minha alma” em Deus, perceber as grandes deficiências deste ser combalido pelo pecado e pelo caos de um mundo ruim, estou sonhando coisas novas e ainda ocultas parcialmente pra mim, como se germinassem novas aspirações dentro de um novo vaso. Eu não abro mão de tentar me parecer mais um pouco com o que fui criada pra ser. Rever a trajetória neste momento não significa lamber feridas e alimentar amarguras, antes, é notória e maravilhosa a convicção de não se querer mais enredar por histórias estranhas à minha. O Senhor meu pastor, o autor, tem colocado à minha frente o desejo santo de ter a minha de volta, bem encaixada em suas mãos. E, por isso, eu não preciso – e já não quero - fazer nada.

...Estou feliz... E contando os dias de uma maneira diferente.

Porque meu coração deseja a sabedoria – o conhecimento de Deus.





PS: Outro dia ouvi mensagem liiiiinnnnda do Caio Fábio, sobre aquela música linnnndddaa, "O Tapeceiro", do Stenio Marcius. Seria impossível ouvi-las sem lembrar de um texto que escrevi há anos, antes de ter contato com o ministério do Caio e muito menos com a canção do Stênio. Aproveitando a ênfase da mensagem e deste post, lá vai:



COLORIDO
(Joseli Dias – 22/12/2002)

Tudo começou em branco
E então comecei a rabiscar
Viajei em toda fantasia que pudesse me dar razões para continuar com meus rascunhos
De repente percebi que precisava de certa coerência em meus traços e fui entendendo aos poucos que tudo tinha o seu lugar; inclusive eu.
E essa foi uma grande descoberta. Talvez a mais importante.
E eu encontrei um lugar.
Acontece que eu não sabia por onde começar a peça da minha vida. Precisava de uns toques de um verdadeiro artista...
Na verdade, eu percebi que não tinha destreza o suficiente para pintar os elementos mais belos e necessários e que tudo precisava de um bom gosto jamais visto
Aí eu entendi que não era tarefa minha pintar o meu retrato, e sim escolher o pintor certo para tal...eu pensei em Deus – tão audacioso em suas criações, divinamente inspirado e perfeito por excelência – Ele sim poderia traçar as cenas da maneira mais real e com tamanha propriedade; afinal, Ele é Senhor no assunto.
Num piscar de olhos, Deus atuou...brilhantemente...pincelando os quadros da minha história com as cores mais variadas:

Cores tristes, alegres, de paz
Cores de beleza em toda parte, com glória invadindo meus poros
Cores de amor, de choro...muito choro, cores de raiva e de paixão
Cores de questionamentos e contentamento
Vitórias e aprendizados

Tudo como ilustração do realizar de Deus sobre mim e sobre todos nós.
Já não prefiro o desenho infantil que posso fazer em vez da obra de arte em que Ele transformou minha existência
Hoje sei que não sou uma tela vazia; tampouco um lambuzar, um desperdício de tinta.
O meu Pai me deu todo o colorido, fez combinações, “degradès” impressionantes. Ele sabe usar cada material. Ele é autor consagrado de obras fantásticas.
Providenciou a melhor moldura para o meu coração e lugar para cada coisa dentro dele.
E assim preferiu assinar eternamente os meus dias.


Domingo, Dezembro 14, 2008

DEUS comigo.

O salmista sempre é lembrado por suas lindas expressões no salmo 139, em que detalha como era magnífico perceber a presença e a sondagem do Senhor onde quer que ele estivesse. Ainda mais maravilhoso é notarmos com clara beleza que, ainda hoje, Deus não está apenas presente e à nossa espera nos lugares mais surpreendentes, mas pode estar, de fato, presente em nós, onde quer que estejamos. Dentro de nós: nos pensamentos, sentimentos, emoções. A melhor casa, o melhor tabernáculo que ele escolheu para Si é, sim, o nosso coração. Não importa o lugar, o momento, a circunstância...é maravilhoso saber que Ele é o “DEUS CONOSCO” - excelso, sublime e sempre bom.

Se hoje eu tivesse que explicar a alguém o porquê do meu amor por Ele, me negaria. Isto porque, previamente, eu teria de encontrar explicações sobre o Seu amor por mim. Aconteceu primeiro, antes. Encontrei algo que eu não procurava e o encontro a cada dia...

...meu cotidiano é marcado por buscas vazias e frívolas. Vivo em busca do que não é bom pra mim, me esquecendo rotineiramente do que tem valor eterno. Foi e é assim com a presença amorosa de Deus. Por vezes percebi que já não o procurava porque sentia falta de outras coisas infinitamente menores. Hoje já consigo entender melhor que não o procuro porque Ele, sabendo de minha débil noção de prioridade, resolveu habitar em mim.

O Senhor está sempre comigo porque me ama a ponto de não me deixar viver só comigo mesma. E tê-lo comigo - seja como, onde e quando for – é a mais grata surpresa de quem descobriu que o tesouro que não buscava estava depositado no próprio coração. E este era exponencialmente superior.

O tesouro que não se pode deixar de amar. O amável e maior bem que há.

(Eu te amo, meu Deus...)

Segunda-feira, Novembro 03, 2008

[Percebendo...ESCOLHAS]

Pontuando sobre a fala do Pr. Eduardo Pedreira sobre escolhas:



Uma relação, seja ela qual for, não precisa de grandes expressões; ela precisa de pequenas escolhas. As grandes escolhas são pontuais, esporádicas. As pequenas escolhas são cotidianas, estão diante de nós o tempo todo.

Devemos agir e fazer escolhas de acordo com a maneira de Deus. Deus escolhe a partir de valores e não de circunstâncias. Talvez porque a gente não agüente as conseqüências que os nossos valores podem trazer pra nossa vida, é que a gente decida a partir das circunstâncias. E o que acontece quando a gente escolhe a partir das circunstâncias e não agüenta a culpa, é dizer: "Eu não tive escolha"; mas isso não é verdade.

O desejo é institivo, está focado no prazer. A vontade é fruto de uma resolução madura que nem sempre me dá prazer. Por isso eu devo escolher a partir da vontade e não do desejo, como Jesus, que desejou não ir pra cruz, mas optou por possuir e obedecer a vontade do Pai.

Terça-feira, Outubro 28, 2008

Salmo 131

Alma inquieta, trata de te calar
Não por causa de um desalento qualquer,
Mas tão somente por seres ignorante,
Por nada saberes, por que falar?

Alma cansada, trata de te cuidar
Não deixando na mão de Deus
O que te convém tratar,
E sossegando teu descontrolar

Alma soberba, trata de te observar
Não apenas pela piedade do humilhar,
Mas pela retidão de quem, hipócrita,
Tem que a própria justiça reconsiderar

Alma errante, trata de acreditar
Que no teu fardo há de existir um lar,
Um lugar seguro onde se abrigar
E bom alívio pro teu penar

Alma bendita, que em Cristo está
Que já descobriste o dom de amar,
Que já provaste do Seu perdão,
Que já o rendeste teu chorar
Alma aceita, por que negar?
Alma refeita, por que arrasar?
Mantém-te próxima ao Deus da luz,
Esconde tuas mazelas sob a cruz
Joga-te aos pés do bom Jesus.

Alma dorida, trata de te curar
Limpa as feridas do teu flagelo
As tão doídas que fazem recordar
A dor da alma de Quem te fez ser,
De Quem te trata para viver.

Domingo, Setembro 28, 2008

Encontrar

Beber águas novas
Beber águas limpas
Matar a sede
Acabar com a sequidão

Hidratar a alma
Experimentar novas veredas
Adentrar o caminho da fonte
Encharcar o coração

Buscar renovo
E encontrar renascimento
Sentar ao poço
Encontrar um moço
Enxergar o Mestre

Gastar tempo com Ele
E rever conceitos
Aceitar águas novas
Beber águas limpas
Sentir satisfação

Jogar o cântaro dentro d’água
Encher o cântaro dessa água
Levar água pra casa
Molhar muitos que lá estão

Banhar o espírito
Nas águas puras
Águas de novidade
Demonstrar a certeza
De que esse encontro não foi em vão

Fazer dessa experiência
O fato mais significativo
Manter a esperança
De que muitos chegarão ao poço
E encontrarão o moço
Estes que, buscando renovo,
Encontrarão transformação.

(Joseli Dias – Em 13/10/2003)

“Respondeu-lhe Jesus: Se tivesses conhecido o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe terias pedido e ele te haveria dado água viva(...)mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna”. (João 4: 10, 14)
* Texto antigo, postado ao som de "Bebe da água", de Darlene Lima.



Sábado, Setembro 13, 2008

[percepções...]

Hoje, o que percebo como grande debilidade dos cristãos não é apenas a dificuldade do "não" ser "não" e o "sim" ser "sim", mas também a alternância indiscriminada entre uma afirmação e outra...

Quarta-feira, Setembro 10, 2008

Meias verdades

"A verdade não é questão de convencimento; a verdade é questão de revelação."



Essa foi uma das grandes frases ditas pelo Pr. Ed René Kivitz no I Encontro Renovare Brasil, na Barra da Tijuca, nesse último final de semana. Dentre as muitas coisas boas e profundas que ouvi, hoje essa frase me cai bem em minhas elucubrações, embora esteja um pouco fora de contexto...Pois bem, o contexto original também é fantástico. Kivitz abordava a questão da espiritualidade na pós-modernidade, dizendo que o diferencial está justamente no fato de que não há uma classe ou um grupo considerado como detentor da verdade absoluta (como outrora, com a Igreja Católica e a própria ciência); ou seja, hoje não existe a concepção normativa do que seja a “verdade”, por isso tantas pessoas simplesmente não aceitam o evangelho – ou qualquer tipo de mensagem ou ideologia – como verdade. Tudo se restringe ao campo da opinião, da escolha, do ponto de vista. Há infinitas “verdades” nesse mundo em que vivemos. É aí que Kivitz afirma que, nesse ínterim, a mensagem do evangelho não precisa ser uma luta por melhor argumentação pois, de fato, no cristianismo a verdade é uma pessoa: Jesus. O logos encarnado de Deus se apresenta como aquele em quem reside a plenitude da verdade. Então – finaliza Kivitz – essa é uma questão de revelação. A quem o Filho se revelar, será descoberta a verdade.

Além desse belíssimo ponto de partida, permito-me enveredar por outras linhas de pensamento, outros aspectos dessa reflexão. Há algum tempo tenho pensado sobre essa normatividade da verdade em nossas mui distintas perspectivas enquanto humanos que somos. Nas relações e nas interpretações a respeito de nossos conflitos permanece o princípio. A verdade não está com ninguém senão o Justo. Ninguém pode, por mais racional e consistente que possam ser seus argumentos e razões, determinar a verdade dos fatos a não ser o próprio originador da vida. Mas não são raras as vezes em que nos afligimos na busca por legitimação da verdade em que cremos; que queremos justificar nossa forma de enxergar e responder às questões que nos envolvem.

O que eu tenho refletido a esse respeito é que se trata de uma tarefa ingrata. O que acontece é um interminável esforço e nenhum retorno satisfatório, já que a verdade que eu “possuo” nunca será verdade na vida do outro por imposição e/ou convencimento. Além disso, a verdade de Cristo vai além do que podemos alcançar, discernir. Por essa e outras razões nos surpreendemos com a reformulação dessas nossas “antigas verdades” ao nos depararmos com o nível das atitudes de Jesus (vide a frase de chamada desse blog).

Atualmente, tenho reavaliado muitas coisas. Muitas verdades acabam sendo reveladas a nós à medida que nos aproximamos do Senhor e conseguimos perceber a discrepância entre o seu caráter e o nosso. Por outro lado, isso alivia nossas cargas. De fato, quando experimentamos deixar que a Verdade se revele em nossa história, as antigas percepções se esclarecem e, não raro, sofrem mutações. E aí a preocupação pelo convencimento do outro deixa de ser regra mestra; passamos a ser os convencidos por Cristo. A consciência do outro não nos fere porque a nossa vai sendo tratada. A possibilidade de convencer alguém se constitui novamente papel de um Deus que se revela. Então, se há embate de consciências e posturas, a fórmula não é nova. A referência, a “regra mestra do Mestre” continua sendo o referencial único e capaz de flagrar, transgredir e revelar meias verdades.


“O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque em parte conhecemos, e em parte profetizamos. Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.” (I Co 13.8-12)

Terça-feira, Setembro 02, 2008

Reincidência (por Ederson Peka)

Como é difícil Te pedir perdão
De novo, sem desculpa ou argumento:
É duro não trazer nada nas mãos
Senão vergonha, angústia, desalento;
Sabendo que eu falhei na decisão,
Causando novamente sofrimento;
E tudo o que me deste em profusão
Desperdicei sem ter discernimento...

Difícil Te entregar meu coração
E superar o desapontamento
Do qual eu sou a principal razão...
Mas com a voz que resta, ainda tento
Balbuciar a última oração:
-Só Tu podes curar meus pensamentos!


25/04/2008

Sábado, Agosto 23, 2008

Mais que palavras...




Palavras boas, palavras doces
É o que sempre ouço de Ti
Palavras fortes de esperança
me alegram ao te ouvir

Palavras santas e agradáveis
São Teu renovo, fidelidade
É tudo isso, oh Pai,
que eu recebo de Ti

Ah...como é bom estar aqui,
sentindo a Tua paz me invadir
como brisa leve de um fim de tarde
que leva embora o medo e a maldade

Ah...como é bom estar assim,
vendo o que estás fazendo em mim
com o Teu amor, como meu Senhor,
varrendo a tristeza e a dor

Te louvo pela proteção,
te louvo pelos livramentos,
te louvo pela bênção que não veio...
...e que não era bênção!
Te louvo pelas glórias, pelo chorar
te louvo por ter lágrimas pra derramar
Eu te louvo, Pai
Eu te louvo mais!
Eu te louvo...






***(Nov/2007).

Sábado, Junho 14, 2008

A minha maior vitória.




A minha vitória é ser amada por Deus.
A minha vitória não é aquilo com que pode sonhar o meu coração.
A minha vitória não é triunfar sobre os meus inimigos e nem mesmo ser transformada em tudo o que gostaria de ser. A minha maior vitória é ser amada por Deus. É estar à mercê desse amor, é confiar que esse amor não muda, nem diminui, nem se ausenta de mim.
A minha bênção não é aquilo que desejo. A minha bênção é a presença constante e certa do Deus que conhece as minhas angústias e que sabe exatamente sobre tudo o que acontece dentro de mim. A presença de um Deus que me adotou e, comigo, todos os meus defeitos...Que se ofende em meu lugar, que não me retribui a vergonha de ser indigna dele, mas me mostra perdão e bondade nos tempos maus, de desespero e letargia...Nos momentos de toda fraqueza e prostração.
Ouço suas palavras de amor; vejo que essa é a minha maior dádiva...Guardo em meu coração o amor do Deus a quem amo de forma errada e frágil. Sei que a minha vitória está em suas mãos vazadas na cruz ante a contemplação de toda a minha maldição.
A minha maior vitória é tê-lo como fonte inesgotável, como pão não-perecível, como luz eterna, como uma presença que nunca me deixa...A minha vitória é a vitória de Cristo sobre mim.





Joseli Dias. 19/12/2007.

Domingo, Abril 20, 2008

Um DEUS que me ajuda

Preparas uma mesa perante mim
Na presença daqueles que desejam o meu mal,
Daqueles que querem me prejudicar,
Daqueles que agem pelas costas

Preparas uma mesa perante mim
Na presença daqueles que desejam me humilhar,
Daqueles que esperam sempre me ver de joelhos,
Daqueles que me julgam, mas não pela reta justiça

Preparas uma mesa para mim, meu Deus
E quando fazes isso, não te ocultas
Mas te expões por amor a mim
Na presença dos meus inimigos
Cuidas de mim e me agradas
De maneira que possam ver


Preparas mais que uma mesa pra mim;
Tu preparas a mim.
Preparas o meu coração no dia mau
Preparas minha mente para esperar o mau dia.
Tens tido o cuidado de me dar lucidez
Nas horas em que questões borbulham dentro do caos,
Nas horas em que a injustiça tenta me enlouquecer,
Nos momentos cujo amor só eu percebo,
Só eu sinto.

Enquanto tu me preparas, Pai
Vejo que trabalhas por mim mesmo quando a mesa não está posta...mas sei que ficará
E quando o estiver, cessarás minha fome
E me fortalecerás...tu me nutres, Senhor

Preparas a mesa pra mim com o melhor do Teu coração.
Preparas o meu coração com o melhor de Tua mesa.

Tu me sacias na fome
E me acalmas enquanto
Tu me preparas uma bela mesa,
Uma farta mesa
Na presença, na vista dos meus inimigos.

(E hoje eu creio que preparas o meu coração...)




- Joseli Dias. –
14/06/2007

Sábado, Fevereiro 16, 2008

Cura

Traz algo novo...
Faz de novo,
Muda tudo porque podes,
Não empaque nessa angústia.

Sai do meio do furacão,
Dissolve teu desespero
Mete a mão nessa dor
E a humilha por amor de ti mesmo.

Supera tua mágoa,
Rasga tua consciência,
Muda a seqüência de tuas falas,
Muda a ordem de teus argumentos.

Mostra algo novo,
Prova que a vida muda,
Foge do embaraço
Que é o escândalo de não amar.

Nosso Deus é tão bom
É tão justo em Seu cuidar,
É tão misericordioso em te amar
Sai de teu patamar!

Age de outra forma,
Modifica esse sentimento,
Prova que de fato só dependes
Da paz do teu Deus

Não desiste de fazer o melhor
Não sabes que sempre será pouco?
Cansa teus pés em correr para o bem
Deus cansou o Seu corpo!

Tem cautela em julgar,
Arrepende-te em faze-lo
O Pai sorri pelos filhos que amadurecem
Esquecendo-se de serem engrandecidos.

Traz algo novo...
Faz de novo,
Muda tudo porque a dor da cruz
Não precisa ser agravada
Faz algo de bom
Pelo Corpo de Deus.

(Joseli Dias - 11/11/2007)

Emblemático


"A história do Filho Pródigo é a de um Deus que me procura e não descansa até que me encontre. Ele insiste para que eu deixe de me apegar a estados de espírito que me levam à morte e me deixe alcançar por braços que me carregarão para o lugar onde encontrarei a vida que mais desejo (...) Como devo me deixar amar por Deus?"


- Henri Nouwen, em 'A volta do Filho Pródigo'.

Sábado, Fevereiro 02, 2008

A cada dia mais.

Eu tenho todo prazer no evangelho
Nessa nova proposta a respeito da vida,
Nessa revisão de valores e sentimentos,
Nessa nova atitude diante do amor...

Tudo isso acolhe minha mais profunda reverência.

E isso acontece porque não há desgaste na verdadeira mensagem de Jesus.
Tudo o mais se desvanece, perde a força, caduca, se torna obsoleto
Mas a ação do amor de Deus revelada no mundo continua sendo a mais bela,
O mais poderoso argumento, a mais forte e profunda experiência do homem pecador

E eu sou um pecador.

Alguém cuja consciência é reafirmada a cada dia como perdoada, refeita, acrescida
De um amor vibrante e coerente
Nada utópico, nem fácil...
Um amor consciente, medido pelo exemplo do próprio Deus
Que amou primeiro,
Que ofereceu antes de receber,
Que perdoou com toda coragem,
E nos ensinou com bondade.

Tenho fé como alguém que foi ensinado a crer
No momento de toda desesperança e miséria
(miséria de alma)
E deposito confiança nas mãos de quem confiou a própria vida por amor de mim.
Foi na confusão do grande vazio interior flagrado dentro da minha alma
Que o milagre da salvação transbordou em minhas lágrimas
Lágrimas de um perdido recém encontrado, reconhecido e amparado.

Nutro, a cada dia que passa, mais amor
Por minha história contemplada e assistida,
Por meus dias adotados e protegidos
Pelas mãos calorosas de um Pai Santo
Que me dá um carinho que sobra, que toma conta

E quem medirá esse amor?
E quem poderá perceber essa relação?

A doce sensação de caminhar com o mestre de minha própria existência,
A maravilha de ser amigo de meu próprio Senhor,
A felicidade de não ter dúvidas em Sua graça e paz.

Tenho toda alegria no evangelho
Que se traduz, antes de tudo, na nova prática de uma vida renovada
Ainda nesse mundo...
Guiada pela voz do meu melhor amigo
Que considerou a própria morte por considerar mais que necessária
A idéia de me fazer viver.

(JSD – 29/01/2008)

Domingo, Setembro 23, 2007

Falando de minha alegria e paz.

Vivo uma das melhores sensações de minha vida.
A sensação de quem voltou a sonhar, mesmo depois de acreditar que isso não fosse mais possível. É tudo muito lindo...
E o melhor que está acontecendo é o fato de voltar a sonhar, mas não sonhar repetido, não buscar as mesmas coisas, não recomeçar de onde parei. Parece que mudei a direção do meu olhar... e sei que, na verdade, foi o Senhor quem fez isso por mim.

Se alguém me perguntar o que de tão fantástico ocorreu comigo, nem vou saber responder porque, humanamente falando, os eventos não têm sido tão inovadores. Mas, dentro da minha mente, do meu coração, muita coisa tem mudado de forma gradativa, espiritual e bela.

Enxergo-me livre de muitas coisas. Mesmo daquelas que ainda me pesam na alma, mesmo daquelas que me incomodam, que desafiam meu caráter, que dóem...me sinto realmente livre desse peso enorme. Fui convidada a me satisfazer na graça de DEUS. Tenho aceitado esse convite todos os dias. Tenho querido mais a essa graça do que a muitos atrativos perigosos que me circundam. E minha alegria aumenta nessa perspectiva.

E o coração voltou a bater forte pelas coisas mais importantes. O coração cansou das coisas pequenas, bobas, mascaradas. Meu coração tem sorrido em DEUS e está descansado nEle, investido em Seu reino, amparado por sua misericórdia, encorajado em Sua palavra, fortalecido em Seu cuidado...está batendo forte, sim. Está em paz.

Os comentários têm sido em grande número...ando diferente. E isso é reflexo dessa alegria e paz que resolveram finalmente tomar partido de mim. Eu sabia que isso iria acontecer... louvado seja o meu DEUS, o meu amigo fiel.

Segunda-feira, Julho 23, 2007

"Não há palavras para as coisas mais profundas. As palavras tornam-se ineficazes quando o mistério se apresenta e a prece se desloca para o silêncio. Na cultura pós-moderna, o incessante alarido da tagarelice aniquilou a nossa familiaridade com o silêncio. Como conseqüência, estamos estressados e ansiosos.

O silêncio é uma presença fascinante. O silêncio é tímido. É paciente e nunca chama atenção sobre si mesmo. Sem a presença do silêncio, nenhuma palavra poderia ser pronunciada ou ouvida. Nossos pensamentos constantemente invocam novas palavras. Ficamos tão entretidos com as palavras que mal reparamos no silêncio, mas o silêncio está sempre ali.As melhores palavras nascem no silêncio fecundo que cuida do mistério. "


( de Ecos Eternos - John O’Donohue.)

Domingo, Julho 01, 2007

Não entendeu? Nem eu...

Manda dizer pra quem me espera que eu não vou correr
Manda dizer pro que duvida que eu não vou provar
Diz também pra quem me irrita que não vale a pena me ver assim
Avisa aos que me propõem besteiras que eu nem vou olhar

Dá meu silêncio como resposta a quem me interpela
Mostra minhas costas pros que me cobram
Dá de ombros pros que me acusam
Aumenta o som quando gritarem

Notifica ao passado da minha partida
E ao inferno que não volto atrás
Fala aos que me procuram que continuo caminhando
Agradece aos que me deixaram...que vão em paz

Deixa meus erros me ensinarem...ou não
Faz algo por mim...
...Não! Não precisa.
Eu já fiz.

Terça-feira, Junho 26, 2007

"Não há nada a perder. Não há nada a ganhar. A não ser o prazer de ser o mesmo mas mudar..."

Quando sabemos que somos adultos? Como aferimos nossa maturidade? É tão difícil, subjetivo, entender ou perceber se já crescemos na cabeça, muito mais do que envelhecer ou chegar a certa altura da vida. Também é bobagem achar que se é gente adulta a partir do momento em que pagamos nossas contas. O que eu vejo de gente dirigindo famílias, com mil despesas e compromissos mensais sem um pingo sequer de noção, de consciência das coisas...é brabo entender que crescemos...ou não.
Ultimamente, tenho sentido que cresci. Uau! Que descoberta! Parece óbvio dizer, mas já me acho adulta. Dadas as circunstâncias esdrúxulas que tenho encarado ultimamente, acho que alguma coisa dentro de mim já funciona com a cabeça de alguém mais pronto, mais certo, mais comedido e, com certeza, muito mais hábil. É claro que não estou dizendo que já cresci, porque todo ser humano razoavelmente inteligente sabe que isso é impossível – estagnar no aprendizado, alcançar “a coisa” – só morto pára de se renovar. Mas é bem possível que minha cabeça e meu modo de ver as coisas tenham mudado consideravelmente ultimamente. E isso não tem me agredido, pelo contrário, tem me favorecido...mas ainda falta tanto!
Ainda sou a mesma criatura, mas numa nova versão, eu creio. Inegociável em meus valores, indiscutivelmente crítica de todos e de mim mesma (que droga! Certas coisas não mudam assim...), inacreditavelmente paradoxal, mas, surpreendentemente, mais prática, mais lógica, mais calma. Calma como quem já se vê melhor, como quem curte a visão panorâmica das situações. Glória a Deus por isso! A Sua graça continua me sustentando e ajudando a ver as carências e justificativas próprias e dos outros de forma mais equilibrada, não por “passar a mão” na falta de integridade, mas por saber, tristemente, que somos integralmente corruptíveis, “trapos de imundícia”, diante de uma presença muito maior...
Em Deus posso ver toda a ajuda nas horas de inadequação. Ele tem me ajudado a lidar com pessoas estranhas, situações mais estranhas e improváveis ainda, questionamentos inconvenientes, propostas fora de propósito e sinistras doses de ironia...preocupação acontece; angústia não necessariamente. Ele é meu ajudador. E tem me ajudado a crescer na proporção em que me torno dependente dEle. E essa é uma forma toda outra de crescer.
“Há, porém, um espírito no homem, e o sopro do Todo-Poderoso o faz entendido (...) Na verdade, nenhuma correção parece no momento ser motivo de gozo, porém de tristeza; mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos que por ele têm sido exercitados.”
(Jo 32.8 / Hb. 12.11)

Sexta-feira, Junho 22, 2007

O perdão que eu te peço

O perdão que eu te peço
É pela minha insistência no erro conhecido,
Pela dura palavra dada a quem não merecia,
Pela condescendência com as coisas que te importam,
Pelo bem que eu não faço

O perdão que eu te peço
É pela fuga inútil pelo caminho covarde,
Pela excessiva preocupação com as verdades alheias,
Pelo esquecimento do teu cuidado
E pela apatia ao estar contigo

O perdão que eu te peço
É pela queixa injusta e constante,
Pelo retrocesso em minhas relações,
Pelo desrespeito aos melhores valores
E pela negligência com minha história

O perdão que eu te peço
É pela imaturidade que me ofende,
Pela insegurança que me anula,
Pela tristeza na luta
E pelo desejo da impiedade

O perdão que eu preciso
É pelo perdão que não consigo dar,
Pelo incômodo de ter que ser mais, de ir além,
Pela vontade de agir como se tua eu não fosse
E como se te conhecesse sem te temer

O perdão que eu te peço, meu Deus
É aquele que só tu podes me dar,
Cujo poder destroça as armadilhas do meu enganoso coração
E da minha fraca consciência

O perdão que peço a Ti
É aquele que injustamente me justifica,
Que me constrange a não ser só o que Tu queres,
Mas a ser exatamente como Tu mereces...

O perdão que eu espero de Ti, Senhor
É por acreditar em minha própria perspectiva
E ignorar o Teu olhar,
Por me manter distante do teu pensamento,
Quando me contento com o meu...

O perdão que o Senhor me dá
É a prova de que posso me assegurar
De que a graça da Tua graça
Reside na necessidade de confiar
Na suficiência do Teu amor

Na suficiência de Ti mesmo, meu Deus.

Sábado, Junho 16, 2007

É isso aí!!!!

Salvador, só as Tuas feridas
Foram capazes de me curar
E só o Teu sangue
Foi capaz de me limpar

Salvador, só a loucura do Teu Evangelho
Me trouxe a verdade e a certeza
E só a tua dorFoi bálsamo para a minha

Salvador, só a simplicidade do Teu amor
Preencheu os vazios que a religião não pôde,
E calou a voz dos que se julgavam sábios
E que de nada me convenceram
Salvador, só a Tua pureza
Me mostrou o quão pecador, de fato, sou
Só mesmo o Teu Espírito
Me revelou a minha falibilidade e total dependênciaDe “um” DEUS

Salvador, só a Tua misericórdia
Foi refúgio quando pensei estar tudo perdido
E só o Teu cuidado
Foi o detalhe que não me permitiu perecer
Salvador, só o Teu poder
Me resguardou nos apertos e calou meus inimigos...
E ainda me deu escapes,Portas criadas por Ti

Salvador, só a Tua palavra
Me provou quem Tu és,
O que fizeste,
E o que queres fazer de mim

Salvador, só a Tua ressurreição
Pode fazer alguém nascer de novo
Porque só o Senhor tem a vida e a morte
Em Suas mãos

Salvador, só o Teu nome faz
Faz tremer o inferno,
Afugenta os demônios,
Rege toda a natureza
E só diante dEleTodo joelho se dobrará
E só o Teu nome, JESUS,
Será, por toda língua, confessado

Salvador, só aquele que contigo ajunta
É que não espalhará o mal;
Só aquele que contigo morre todos os dias
É que viverá eternamente
Só aquele, Senhor, que te confessa e entroniza
Será, por Ti, chamado de bendito

Salvador, só a Tua defesa
Me justificará diante de Deus Pai,
Só a Tua intercessão
Me faz alcançar o Seu favor
Salvador, só a Tua perfeição
Tira o pecado do mundo,
Só a Tua abnegação
Nos deu uma nova chance

Ó, JESUS,
Só o Senhor terá o louvor dos meus lábios
Será só Senhor a razão da minha vida
Serás a minha confiançaTerás o melhor de mim
JESUS CRISTO, só o Senhor será o meu testemunho diante dos homens
Porque não vou querer jamais honrar a outro
Só mesmo o Senhor será o primeiro,
A mais alta referência

Salvador,
Só a Tua cruz calou meus argumentos e descrenças,
Só a Tua graça me libertou,
Só a Tua compaixão tirou meus jugos

DEUS meu, só eu sei o que fizeste em mim,
Só eu sei o que eu encontrei em Ti...
JESUS, eu só podia mesmo me encontrar em Ti.


(Joseli Dias – 05/04/2005 – 21:07)

Quarta-feira, Maio 02, 2007

Gentio


A chance que me deste vale mais do que os sacrifícios que posso fazer
Porque eu não poderia pagar o Teu próprio sacrifício de amor
E pelos homens, e pela lei eu não estaria na lista
Mas em Teu rol meu nome já tinha sido escrito

Eu era um gentio. Na verdade, o sou.
E a lei não me contemplava...mas a justiça o fez
E pela fé, a Tua justiça me justificou,
Fazendo de mim filho
Um filho adotado, desejado, buscado
Nessa iniciativa divina, fui feito filho legítimo
Irmão do próprio Cristo -
- O primogênito, o Sumo Sacerdote

A oportunidade que eu precisava não veio do homem
Ela veio do Filho do Homem
Revogaste os pré-requisitos humanos
Rasgaste totalmente o véu
Com Tuas próprias mãos

Que não me garantam em Ti os atos sensatos aos meus olhos
E que em mim não se desvaneça a memória de servo
Porque furaste minha orelha,
Mas me puseste dentro da Casa
Ofereceste banquete a este faminto
Foste o próprio Pão

A vida que me deste
É a minha grande chance de ser Teu,
E ter acesso irrestrito pela fé
E um novo nome - o nome que escolheste para o filho
O filho gentio que adotou nova pátria

A chance que me deste
É ter a vida em Tuas mãos
Cuidada e preservada
Pelo Teu amor de Pai

Amor que descubro a cada dia
Amor que agradeço tentando ser
Um filho tão autêntico
Quanto o próprio Cristo

A chance que me deste
Valeu-me mais do que as chances dos homens pra mim
A chance de te entregar amor
A chance de aprender a amar...
...Com o meu Pai.



(Joseli Dias - 17/03/2006)

Sexta-feira, Abril 20, 2007

A r c o - í r i s


Como é fantástico abrir os olhos
E perceber que eles enxergam mais que ontem
Mas entender também que isso não aconteceu tão simplesmente
Como o passar de um dia para o outro...


Para ver coisas boas hoje,
Ontem enxerguei cada detalhe de muitas coisas ruins
Para enxergar e dar valor a tudo que alcanço,
Ontem estive cega.


E, quando levanto meus olhos,
Sinto minhas pupilas dilatarem
Ao verem as nuvens no céu
E realmente entender que, às vezes, as nuvens mudam de cor e densidade
Passam a ser cinzentas e carregadas
E se estouram em grandes tempestades

Mas, HOJE, o que me importa é ver o arco-íris
Ele é uma aliança,
Uma promessa de que as coisas não vão se acabar em águas
E minha vida não vai sair escorrendo pelos bueiros
A terra estará firme
E só terá chuvas
Com o propósito de se tornar fértil


...É assim que vejo hoje
O que ontem era só lama e negritude


O céu não deve ser visto como um quadro
Porque o céu se modifica conforme os nossos passos.

E estou amando sentir minha visão limpa,
Meus olhos secos de toda lágrima
E saber que foi Deus quem as enxugou.

**************
(Joseli Dias – 20/03/2003.)

Terça-feira, Abril 10, 2007

Muito bom...

Já faz uns três dias que notei uma mudança chocante em mim. E nem sei se já é tempo de se comentar a respeito, dada minha natureza paradoxal...enfim, não importa. Estava lutando pra dormir, brincando com meus planos futuros e meu cotidiano recente quando me dei conta de que fiz algo de que gosto, pelo qual tenho real interesse e paixão e não fui elogiada por isso...até aí, bobagem, porque não me considero e não sou de fato a pessoa mais vaidosa desse mundo e isso na concepção mais ampla do termo vaidade. Mas uma coisa é proferir essa bela sentença em duas realidades possíveis: a primeira quando realmente se é incapaz e/ou imerecedor do crédito ou do lisongeio; a segunda quando mesmo sendo capaz e consciente disso, ainda assim nos escondemos debaixo de uma falsa modéstia enquanto ainda somos bajulados...é o tal discurso fácil, onde eu disfarço minha gana pelo reconhecimento quando o tenho facilmente ou quando sei que ele não me é devido e nem o deveria ser... fica fácil ser modesto, ser humilde.
A questão não é essa. Fiz algo que amo, pelo qual sempre sou elogiada e motivada e no qual acredito ser capaz (embora tenha plena convicção de que essa capacidade está num grau baixo da escala...rs) e não recebi elogios. O impacto maravilhoso: não tive crise alguma com isso, não me aborreci, não me questionei, não tentei ver no que poderia ter feito melhor. Foi indiferente pra mim. A falta do elogio, "da louvação", dos comentários admirados. Não houve essa falta, não havia necessidade de nada disso pra mim...foi um dos silêncios mais libertadores...
Parece palhaçada dizer, registrar isso...mas que seja, tô cansada de impressionar...rsrsrs...talvez por aprender com a vida que nem toda impressão vale a pena. Nem tudo o que eu falo e faço precisa ser validado porque nem sempre é o certo ou o ideal. Assim tenho aprendido com os relacionamentos. Então, ser bajulada, ser criticada, ser olhada de lado não deveria importar muito pra nós, seres humanos. Mas importa à medida que minha paixão, minha motivação, meu interesse, meu bem-estar é pautado pela régua do outro, dos outros. Importa apenas e tão somente se eu preciso fazer ou ser algo para os outros e não pra mim, e não pra DEUS...importa quando o prazer só é prazer se vier embrulhado num vistoso pacote social. Quanta perda de tempo! Quanto gastura desnecessária, quanta doença! O fato é que, acreditem ou não ("tanto faz como tanto fez", diria minha mãe), silêncio bom foi aquele pra mim!!! Foi encantador me ver compactuando e em paz com ele.

Estou surpreendentemente prática ultimamente. Não negando minha essência introspectiva, emocional e detalhista. Não, não. Apenas crescendo...isso é bom (I Co 13.11). Espero não precisar de nada mais que isso.

Sábado, Abril 07, 2007

Uma doce palavra


Em meio a todo reboliço que há dentro de mim e toda confusão que se mistura à letargia do meu espírito, parei e me retirei para mais um momento de reflexão acerca dos últimos fatos. Fui para o meu lugar de costume, me sentei, olhei para o céu buscando a Deus; querendo Seu socorro. Foi quando me lembrei do apelo do Senhor a Abraão..."conta as estrelas do céu (...)". E indaguei com Ele: "Pai, não dá...até Abraão tinha estrelas pra contar, mas no céu que eu vejo na minha frente não há estrelas...só nuvens." Ao que pude sentir calmamente dentro do meu coração a doce palavra:

"...mas a grande estrela, o Sol da Justiça, continua brilhando."

Calei.
Que se apague todo o resto.

Sexta-feira, Março 16, 2007

Em tudo dai graças!

Sabe quando você tem um dia que quer esquecer? Que, se pudesse, apagaria da sua agenda...o famoso “dia de cão”? Pois foi assim o meu dia ontem. Do princípio ao fim, foi um dia difícil...me machuquei em casa, ao me arrumar pro trabalho, me machuquei no trabalho e até chorei de dor (amassei meu dedão do pé!), perdi dinheiro na hora de receber o troco do café e tive um dos dias de trabalho mais estressantes desde que assinei minha carteira: mil coisas pra fazer e uma lamentável discussão com uma colega na hora da reunião no setor. Logo ontem, que acordei tão feliz, bem-humorada e orei tanto por meus colegas e por meu testemunho...me senti injustiçada! Muitas calúnias e ofensas sem o mínimo respaldo e necessidade. Fiquei boquiaberta com tamanha palhaçada...Daí pra frente, mais uma experiência complicada: um tiroteio do meu lado, em plena Tijuca! O carro que trocava tiros com a polícia parou ao lado do ônibus onde eu estava indo pro seminário. Os tiros foram muito próximos! Tive que me jogar no chão do ônibus , colocar as mãos na cabeça e clamar o nome de JESUS. Eu simplesmente não acreditava que estava passando por aquilo! Aleluia! Estou viva.

Em dias como esse não há muito o que se dizer porque a sensação que se tem é a de sobrevivência. Você mal consegue respirar e responder aos acontecimentos. É um sufoco só. Mas percebi coisas grandiosas. Uma delas é, prioritariamente, o dom da vida. Essa coisa linda de poder me levantar, saltar do ônibus e caminhar pela rua sem nenhum arranhão. Poder encontrar meus amigos no seminário, vê-los mais uma vez na capela cantando, conversar com eles, rir...poder voltar pra casa e ver minha família e saber que tudo está em seu lugar.

Outra coisa que me fez descansar foi a incrível sensação de confiança em Deus, mesmo estando, irada, aborrecida, triste. Comecei a entender que o meu dia foi entregue ao Senhor e Ele mesmo cuidou dele da Sua maneira. A Sua palavra diz que há tempo para todas as coisas, tempo de guerra e tempo de paz. Diz também que somos entregues à morte durante todo o dia mas, em contrapartida, afirma que os anjos do Senhor acampam-se ao redor dos que o temem e os livra...na verdade, me lembrei de dezenas de passagens durante o dia. Fui realmente alimentada. Comecei a refletir acerca de mim mesma, da minha condição humana, que me deixa vulnerável à injustiça, ira, dor, prejuízo, perigo, pecado (como meu coração ficou sujo ontem!), mas também totalmente dependente do Pai...em tudo, em cada detalhe.

Tenho uma louca esperança que teima em continuar crer que minha defesa vem dEle e não de mim mesma, que Ele me trata com justiça e que nem sempre a justa sou eu. Em Números 12 existe o relato da infâmia de Miriã e Arão contra Moisés: “Ora, falaram Miriã e Arão contra Moisés (...)”, e a realidade imutável de um Deus conhecedor de tudo: “E o Senhor ouviu isso” e diz que Deus os chamou e defendeu seu filho Moisés, dizendo que “falava com ele face a face”...Interessante como Moisés não precisou se defender, se justificar - “Assim se acendeu a ira do Senhor contra eles” - Deus o fez. Deus ouviu, viu o mal, da mesma forma que percebeu que a carga estava pesada demais pra ele, Moisés, carregar sozinho. Ele precisava de ajuda.

Quando olho pra essa narrativa, me percebo muito, muito distante desse Moisés paciente, conforme o vers. 3 : “Ora, MOISÉS era homem mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra.”. Não sou assim, essa paciência ainda não me dominou. Mas vejo coisas importantes nessa história. Esse mesmo Moisés fora capaz de matar um egípcio em um ato de ira. Javé o estava transformando nesse processo de liderança. Aquela carga toda o estava transformando...aos poucos. Nisso espero ver a mudança na minha vida; mesmo que as circunstâncias sejam injustas, que meu coração aprenda. Que a minha esperança, assim como a de Moisés, se transforme também. Em Hebreus 11 fica claro que o Senhor vai transformando não só o nosso caráter, mas a nossa esperança pelo caminho: “Todos estes morreram na fé, sem terem alcançado as promessas; mas tendo-as visto e saudado, de longe, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Ora, os que tais coisas dizem, mostram que estão buscando uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela donde haviam saído, teriam oportunidade de voltar. Mas agora desejam uma pátria melhor, isto é, a celestial. Pelo que também Deus não se envergonha deles, de ser chamado seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.” (vers 13-16).

Essas coisas me fazem refletir a respeito dos meus dias bons e ruins; me fazem entender que não preciso entender as coisas que me acontecem, mas sim discerni-las espiritualmente e reconhecer o zelo do meu Deus em cada uma delas.

Em tudo dai graças. Louvado seja o Senhor.

Quinta-feira, Março 01, 2007

Descanso Absoluto




Mais um texto antigo e totalmente pertinente...

Não é uma sensação nova,
Mas sinto como se fosse inédita
A paz que não se compra, nem se vende
Nem se usurpa, nem se entende...

Um descanso absoluto
Férias das preocupações
Quando todo o tumulto
Desfaz-se em orações

Então eu vivo, finalmente,
Tudo aquilo que já entendo há tempo
Somente o que me é permitido
Dando graças
Por poder me sentir viva e participante
Do momento que pra agora foi planejado

Eu procurei
Eu encontrei
Eu conferi
O que, afinal de contas, é viver a confiança em Deus
E eu não me arrependo
Da escolha que fiz
De fazer de todos os meus dias Seus

Sobretudo, o que quero
É a liberdade da qual me privei
Por não conseguir desfazer
De coisas que eu mesma criei
Que só me faziam mal,
Que me subjugavam,
Que determinavam as minhas fases
Que me perturbavam

Aprendi, pra glória do meu Deus,
Que tudo é profundo mesmo...
...Mas também, tudo o que é profundo,
É simples
E é calmo

Apesar de toda intimidade conquistada,
Esqueci da idéia de que Deus fosse um parceiro
Um companheiro para o dia-a-dia
Alguém que se habilitasse a vir comigo
Para cada aventura
(E...que interessante:)
Cada aventura foi criada por Ele mesmo...
E eu confio nEle
De verdade
Não tenho medo do que Ele pode fazer a mim
Porque Ele só tem pensamentos de paz e não de mal
Paz essa que eu resolvi vestir
Como se fosse uma roupa limpa e perfumada...

Descansei, me joguei
No fofo do céu
E tudo está tão confortável por aqui...


(Joseli Dias – 21/01/2004 – 16:44)

Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007

O valor das pessoas II

Inevitavelmente, ontem me entristeci.
Ontem, meu coração chorou mais uma vez diante da dor.

O que foi aquilo? Eu entendi direito? É verdade mesmo???
Fiquei perplexa com o que li, com o que vi ontem.

Chorei por minha cidade.

Mataram um menino ontem. Mataram da forma mais covarde que eu já tive notícia. Arrastaram aquela criança pelas ruas da minha cidade, acabaram com o coração daquela família, destruíram uma pobre criança, um menino! Meu Deus, eu não posso fugir da perplexidade. Nem da revolta!!! Eu tô revoltada também!!!!

Não dá pra entender, pra buscar porquês. Caramba, não agüento certas notícias...queria ser indiferente, mas não consigo. Não tem como; um ser humano tratado dessa forma, uma família tendo sua rotina interrompida dessa maneira trágica, uma mãe sendo obrigada a assistir o martírio do seu próprio filho...qta impotência...

Como me deixa arrasada esse tipo de coisa, ver claramente as pessoas esquecerem que são da mesma matéria, o mesmo pó. Não existe "próximo", todos são distantes, uma total ausência de empatia, de amor, de compaixão...

Triste, hoje o meu coração apenas é um desabafo diante de DEUS. De um Deus que, embora pareça distante nesses momentos de dor, permanece justo, eu sei.

Misericórida...só Ele para limpar nossos corações de tanta dor, ira, revolta...só Ele pra nos proporcionar perdão, compaixão...só Ele pra se compadecer de nós nessas horas em que não somos capazes de nem mesmo remover a pedra.

Rogo ao Senhor que liberte aquela família, que traga o remédio com pressa!
Peço ao Pai total consolação!



Amém.

Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

Quem poderia ser?

Quem poderia estar me ligando àquela hora?
Eram 05:15 da manhã de ontem quando meu celular tocou. Eu já estava acordada, enrolando pra me arrumar pra ir pro trabalho, quando fui atender – era meu pai. Pra variar, era ele me acordando. Claro, ele sempre faz isso...a diferença é que dessa vez ele me ligou lá de Ponta Negra, queria saber se eu já tinha acordado “pro serviço”. Disse que tava esperando meu irmão se arrumar p/ irem pra praia...todo, todo animadinho...
Fiquei surpresa com aquele gesto do meu pai. Não pelo zelo, pois faz jus ao caráter dele – sempre cuidadoso e preocupado (às vezes até chato no exagero...rsrs), mas fiquei surpresa com o seu comprometimento em me acordar. Caramba, ele tá longe de casa, curtindo suas férias (ele é aposentado, mas merece passear, né...vá lá!rsrss) , sem compromissos com relógios, contas, mercados, trabalhos domésticos, cachorros, casa...mas se lembrou de me acordar pra eu não perder a hora.
Fiquei constrangida porque uma das coisas que eu mais detesto é ser acordada e sempre resmungo quando ele vai me acordar pessoalmente todas as manhãs...e ele sempre faz com muito carinho. Quando cheguei no trabalho, alguns minutos depois, outra ligação no 0800. Quem poderia ser? Ele de novo...rsrs...dessa vez, só pra me dizer que estava com meu irmão na praia, assistindo o sol nascer! Disse que lá é muito bom, que eu deveria ter ido, que iria gostar...não entendi nada!!! Fiquei com cara de paspalha, querendo entender tudo aquilo. Aí é inevitável lembrar das muitas, muitas e muitas discussões, brigas e momentos ruins que tivemos em minha adolescência. Quantas vezes fui dormir chorando, quantas vezes chorei acordada por estar brigada com ele. Quantas vezes me senti envergonhada por não conseguir dar um bom testemunho para uma pessoa a quem tanto amo e por quem sempre orei, clamei, chorei em Deus. Em todas as vezes Deus estava ali, olhando minha dor, minha revolta, minha ira, mágoa...todas as vezes Ele foi a única testemunha do meu ajoelhar, do meu clamor aos soluços. Eu creio que meu pai está sendo mudado por Deus. Eu creio que ainda há mais pra eu ver.

“Os que semeiam em lágrimas, com cânticos de júbilo segarão.Aquele que sai chorando, levando a semente para semear, voltará com cânticos de júbilo, trazendo consigo os seus molhos.” Sl 126. 25, 26

Na hora, me lembrei também da minha mãe, que estava dormindo comigo e que passou o dia anterior todo me tratando “a pão-de-ló” só porque eu fui acometida de uma insuportável dor de cabeça (o bendito “dente do juízo” de novo), que me fez ficar de molho. Até me senti incomodada com tanto “mimo”, mas nem fui boba de reclamar, né? Rsrsrs . Depois gastamos horas conversando, ouvindo música e falando das coisas de Deus...o legal é ver a palavra dEle se cumprindo nos detalhes. Eu sei de uma coisa: se eu sou detalhista, o meu Pai dos céus é mais ainda. Porque eu posso desperceber muitas “coisinhas”, mas Ele não...nunca, nunca mesmo. E Ele se comprometeu comigo quando eu lhe fiz o pedido. Quando eu lhe pedi pra ser Senhor “dos meus detalhes”. Vejo bem que Ele me liga de vez em quando, Ele me acorda todas as manhãs e me mostra a beleza que é estar perto dEle – “Você devia estar aqui, fofinha!”, Ele cuida de mim, proporciona o meu conforto, me alimenta e conversa comigo. Ele é um Deus comprometido. Como disse meu amigo outro dia: Ele está comigo porque eu sou dEle. E isso, até nos lugares mais improváveis...mas esse é um outro assunto...

"Pode uma mulher esquecer-se de seu filho de peito, de maneira que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim."
Is 49.15, 16

...estava aqui digitando esse texto, alguém me liga...quem poderia ser?
Claro... meu pai!

Sexta-feira, Janeiro 26, 2007

Sonhos bons e ruins.

Ontem tive um pesadelo, coisa que não tinha havia algum tempo. Um pouco antes de dormir, estava em meu costumeiro “desfalecimento no sofá” quando comecei a me retorcer e balbuciar meu sofrimento naquele momento. Acordei sendo questionada pelo meu irmão, que estava me observando, a respeito do que estava acontecendo na minha cabeça pra eu estar me rebatendo no sofá. Narrei o pesadelo pra ele, ainda cheia de pavor, um “nervoso”, passando a mão pela cabeça. Ele ouviu, achou estranho (sem pé nem cabeça como todo pesadelo) e me disse: “daqui a alguns minutos você vai achar ridículo esse pesadelo”. Pura verdade.

Meu irmão estava certo; um tempo depois já estava achando aquele pesadelo uma grande piada. “Sem pé nem cabeça” mesmo, algo que eu nem precisava entender. E mais: depois de um tempo, nem dava mais pra encarar aquilo como um pesadelo, mas apenas como um sonho ruim.

O que eu pude perceber nessa pequena experiência é que apenas sonhos significativos permanecem em nossa lembrança. Eu diria mesmo que até o presente momento apenas um sonho ficou arquivado comigo, e eu o carrego para todos os meus momentos e experiências. E não estou sendo poética, pois estou falando de sonho de sono mesmo, desses que a gente tem quando está dormindo. Não estou me referindo a um “sonho-desejo-projeto”, mas de um sonho que tive em meu quarto, dormindo de madrugada, como de costume. O que faz dele uma marcante bagagem pra minha vida é o fato de ele me ter sido dado por Deus. Eu não tenho dúvida de que foi um sonho espiritual, que na época me disse muitas coisas e o faz até hoje. Algumas perguntas e muitas respostas. Foi um sonho muito bom.

É aí que eu entendo que quando algo nos é dado por Deus, é impossível que não o carreguemos conosco em nossa vida. Entendo que nas mais diversas situações o sonho se mantém real, significativo e coerente. Já não é essa a realidade dos pesadelos sem nexo. Podemos até lembrar de alguns, mas se tornam afastados da nossa realidade e perdem o sentido, não nos dando mais medo algum. Estamos livres de entendê-los, discerni-los porque na verdade o “sentido” do pesadelo é geralmente dar um sinal de alerta. Não encontramos enredo e achamos graça um tempo depois de termos sido tão impressionados por algo tão volátil. Mas os sonhos que Deus nos dá são guardados em nossa memória durante toda a nossa vida. E os vivemos mesmo quando a nossa realidade é desconexa.

Terça-feira, Outubro 31, 2006

O valor das pessoas.

Ontem fui dormir me sentindo estranha. Foi uma noite aparentemente normal, mas a verdade é que teve algo que mexeu comigo. Como há muito tempo não acontecia. Tanto, que chorei enquanto orava em minha cama antes de dormir. Chorei como não fazia há certo tempo também.
Vi uma cena forte. Ainda agora quando me lembro dela, me emociono.
Ontem na primeira aula no seminário, o prof. passou um documentário sobre o evangelho de Judas. Até aí, nada de novo...estou ficando especialista nesse negócio porque suas aulas sempre redundam nesse tema...mas o que me emocionou foi uma cena meio que sem razão de ser inserida no tal documentário. A cena em que mostra uma suposta cristã sendo sacrificada na arena, para entretenimento dos romanos. Aquilo mexeu comigo por vários motivos. Mexeu profundamente.
Primeiramente, porque qualquer espécie de sofrimento, mesmo que fictício, me entristece. Acontece que ali eu pensava na realidade daquela cena, na verossimilhança externa que ela tem, mesmo que essa seja remetida a épocas remotas. Aquilo foi um fato, aconteceu mesmo! Se não daquela maneira, com certeza de forma parecida ou até pior! Várias pessoas sofreram terrivelmente por professarem Jesus. A cena daquela mulher cozinhando naquela cadeira de tortura enquanto seu filho era arrastado aos berros fez com que eu me sentisse extremamente pequena. Minha vontade dentro daquela sala escura era de me encolher em algum canto e chorar diante da dor. Dor que muitos sofreram de verdade por terem verdadeiro compromisso com Deus.
Fiquei ali me perguntando e ainda me pergunto: o que eu tenho entendido como compromisso com Deus? O que eu tenho encarado como viver o compromisso da fé em Jesus? Ainda tenho pensado sobre isso. Não que eu seja masoquista e ache que Deus prefira sacrifícios à obediência. Não que eu pense que todos foram chamados à mesma sorte. Não que eu acredite que hoje não soframos na alma, que não gemamos diante desse mundo horrendo os pavores de morte que já assombravam o salmista no salmo 39...eu mesma tenho vivido dias cercados de pavor. Sei que é necessário às vezes passar por vales profundos. Já passei por muitos e sei que são nesses vales que conhecemos a glória desse Deus dos nossos discursos. É exatamente nessas horas que vemos o valor que temos pra Ele e o valor de Sua vida em nós. Eu conheço a dor, eu já a experimentei por amar a Deus ou por decidir não deixar de amá-lo. Mas ainda ficou essa questão no meu coração: por que nos perdemos tanto diante da dor a ponto de esquecer o valor que Ele nos dá? Até o nosso sofrimento nos mostra o Seu amor por nós...mas como entender tamanha loucura?!
Naquela cena eu consegui ver algo além do sofrimento da mulher. Eu vi um enorme valor. Valor...palavra desgastada em nossa sociedade. As pessoas estão perdendo o valor. Estão as transformando em artigos...artigos de entretenimento, como aos romanos. E às vezes, constato pasma, nós mesmos servimos de platéia! Quantas vezes estamos rindo, nos divertindo com a desgraça dos outros...rimos dos infelizes que aparecem nos programas de TV sendo ridicularizados por suas deficiências físicas...viram artigos de entretenimento os feios, os obesos, os de rosto bizarro, os anões, os diferentes. A miséria do espírito humano se transforma em graça nos vídeos terríveis que circulam na internet. É o bêbado oprimido pelo vício, que vira tema de funk...é a doença que transforma uma pessoa numa aberração ambulante, que não consegue mais sensibilizar a ninguém, é a capacidade de as pessoas se martirizarem em busca de alguns trocados no show bussiness, que passa como boa ação diante dos nossos olhos...é a deturpação de princípios sendo encarada como “o que há” de mais autoafirmador para os jovens alienados aos valores de Deus.
Somos platéia da dor dos outros, do vazio, das carências...nos divertimos com o sofrimento das pessoas, quando não enxergamos o valor que Deus vê nelas. Mas eu acredito que, assim como aquela personagem sofredora, há hoje pessoas que sofram com a dor dos outros, que ainda se sensibilizem diante da vida, do valor que Deus dá a ela. Não...apesar de paradoxal, eu não acredito num Deus sádico, não acredito que Ele estava na platéia. Porque Ele me ensinou a não sentar na roda dos escarnecedores. De fato, mesmo sabendo que essa roda existe e muitas vezes nos seduz, Ele me ensinou a não entrar nela. A não brincar com a dor dos outros, a não rir do que lhe ofende, a não ser indiferente ao valor que seu próprio Filho Jesus pagou por cada uma delas. Custou caro. Custou a vergonha e a “espetacular” dor do Herdeiro de DEUS. O próprio Cristo teve consciência da dor, mesmo estando tão acima dela, como Deus. Ele se fez homem, Ele veio sorver todo o sofrimento e todo o valor dos filhos dos homens. Em Jesus está o maior valor da vida. Como podemos minimizar isso?!
Aquela mulher me mostra que o que “passa batido” pro mundo é, aos olhos de Deus, de extrema importância. Ela me traz descanso ao coração quando penso que nada se compara ao olhar de Deus. Atento e justo.
Eu quero ter esse olhar. Eu preciso enxergar valor nas pessoas, em suas dores, em suas carências, em suas qualidades. Ninguém é descartável, obsoleto, menor. Todos somos iguais...Suscetíveis a quedas e risos, a atitudes vergonhosas e à honradez. Todos temos valor aos olhos atentos e justos de Deus.

Sexta-feira, Outubro 27, 2006

Boas trocas...



Hoje troco todos os meus cds pelas novas canções que me emocionam.
Hoje eu troco todas as minhas roupas por vestes que me envolvam melhor.
Hoje eu troco meus cachinhos por um novo penteado que me deixe mais bonita
Hoje troco minhas bijuterias por outras da moda
Ah!!! Hoje troco minha silhueta por uma mais esguia
E troco meus papéis guardados por outros dentro do prazo de validade
Hoje vejo que posso trocar tudo o que é passageiro
Hoje sei que o que é mutável é mutável!
Então, se pudesse e se fosse preciso, trocaria alguns itens da minha vida.

Mas, sabe, trocar o que é aparente é de uma pobreza...
Sendo assim, estou optando por outro tipo de troca
Prefiro trocar minha indiferença por quebrantamento
Prefiro trocar minha aridez por esperança
Prefiro trocar minhas queixas pela paz de Deus
Prefiro trocar meu egoísmo pelo olhar de Cristo
Hoje estou preferindo trocar meus sonhos pelos projetos desse Deus soberano
Trocar minhas emoções antigas por novas
Trocar minhas frustrações pela confiança
Quero fazer a importante troca do meu orgulho pela humildade do meu Mestre
Quero trocar meu marasmo pela vida no Reino
Quero trocar minha religiosidade por frutos para o Senhor
Quero trocar minhas realizações por almas redimidas pela graça do Cordeiro
Troco os juízos que fiz das pessoas pelo discernimento de suas atitudes
Preciso trocar o pecado pela proximidade com o Pai

Hoje quero trocar o meu coração pelo coração de Jesus Cristo
Trocar minha mente, meu amor, minha imagem pelos dele
Troco os louvores humanos pela aprovação dAquele que é realmente digno
Troco a rejeição dos homens pela amizade com Deus

Sei que ainda há muitas trocas pra fazer

Sei que não é fácil

Mas guardo comigo ainda o mais importante:
O desejo de trocar tudo por Jesus
Sei que um dia trocarei esse mundo por Ele
E na verdade já troquei!

Ah...que coisa boa...

E nesse câmbio se encontra a oração de quem busca esquecer as coisas que pra trás ficam e prosseguir para o alvo...adiante.

Quinta-feira, Outubro 19, 2006

Eu só quero a verdade que há em Ti.

Gostaria de me encontrar contigo
Parar e ouvir o que tens a dizer
Saber daquilo que é importante de verdade
Entender o que sempre tentas me mostrar

Às vezes as palavras me fogem
E percebo que é porque não tenho mais nada a dizer
É quando Tua voz se faz mais que necessária
É justamente quando tudo se cala

Já que me deste um coração sedento da verdade
E a inteligência para buscá-la,
Dá-me também a sorte de encontrá-la,
Deslumbrá-la sem temor

Estou num eterno refazer, Senhor
A cada instante, olho para um lado da via
E nenhuma voz das muitas que ouço
Traz aconchego à minha mente

E nesse refazer, nessa reforma é que às vezes minha força se vai
Vem um esgotamento frio...
As fábulas vão perdendo a validade
As fábulas se tornam fábulas...

E o egoísmo me seca
O egoísmo só jorra o meu desprezo
A pobreza que vejo me dá ânsia
Por notar a verdade em faces mais nuas

Por essa razão é que preciso desse encontro contigo, DEUS
Pra encontrar verdades reais,
Pra não mais forjar respostas,
Pra ver os fatos como são,
A história real,
Os segredos do caos...

Quero te ver e dialogar com Tua palavra
Aquela que posso ouvir,
Em que posso crer
A indubitável voz capaz de me calar
Não só por eu não saber o que dizer,
Mas por querer te ouvir

Deste-me um coração sedento da verdade
E a inteligência para buscá-la
Dá-me também a sorte de encontrá-la
E VIVÊ-LA sem temor

Quinta-feira, Outubro 05, 2006

Um dia deixarei de Te louvar

Há um Deus sobre os céus
E que bom que esse Deus é o meu DEUS
O Deus que me escolheu, o Deus em quem eu creio.
A verdade poderia estar em qualquer deus
Mas o meu Deus simplesmente foi quem a criou
Ele idealizou a verdade...

Sabe, Senhor, haverá um dia em que deixarei de louvar o Teu nome
E esse dia já está certo pra mim
Vai ser o dia em que eu olhar pra cruz vazia
E não constranger meu coração,
Vai ser o mesmo dia
Que eu conseguir enxergar a natureza
Como uma grande engenharia do acaso,
Não te louvarei mais
Assim que me achar invencível e merecedora de salvação
E puder apagar da memória todos os Teus livramentos e bênçãos.
Assim que eu encontrar um outro deus que me ofereça propostas de um melhor caráter
E uma fidelidade mais infalível que a Tua.
Nesse dia, passarei a louvar qualquer deus que demonstre ser maior do que o Senhor
E tenha maior autoridade...sobre os homens, o mundo e até sobre a morte e o mal
Quando eu encontrar um amor mais absurdamente tranformador, altruísta e permanente que esse que Jesus me dá...
...ah, Senhor, pode ter certeza! Será esse o dia em deixarei de te louvar.

Mas enquanto eu gozar dessa paz que excede o meu entendimento
E puder ter a certeza do vazio que existia em mim antes de te encontrar...
Senhor...meu louvor continuará sendo Teu.
Enquanto meus joelhos só admitirem se dobrar diante de um Rei
Esse, Rei, meu DEUS, será o Senhor.
Enquanto os meus olhos não conseguirem se desgrudar da cruz e da tumba vazia,
Jesus, eu louvarei o Teu nome
Enquanto eu não encontrar Alguém capaz de me valorizar como Tu,
É no relacionamento contigo que eu vou investir minha vida
Jeová, até chegar o dia em que poderão te dar ordens, te delegar tarefas e mudar a Tua vontade,
Eu continuarei me encurvando só pra Ti!
Enquanto minha voz só puder cantar os tons da gratidão e da reverência,
Será só Tua a minha canção.

Será esse o dia em que eu deixarei de te louvar, meu DEUS.
Um dia que tomarem Teu lugar
E me oferecerem uma verdade maior do que és.

Eu não preciso ter várias vidas pra te adorar,
Porque a que o Senhor me deu é ETERNA.

E eternamente será Teu o meu louvor.

(Joseli Dias - 11/07/2005 - 13:14)

Quarta-feira, Outubro 04, 2006

Essa música, hoje, diz tudo.

ALIVE - P.O.D


Todo dia é um novo dia
Eu sou grato por toda vez que respiro
Eu não levarei isso como gratidão
Assim eu aprendo com meus erros

Está além de meu controle, às vezes é melhor deixar ir
Tudo que acontece nesta vida
Assim eu confio no amor
Você me deu paz de mente

Eu me sinto tão vivo pela primeira vez
Eu não posso negar a você (Eu me sinto tão vivo)
Eu me sinto tão vivo pela primeira vez
E eu acho que posso voar

Luz do sol na minha cara
Uma canção nova para eu cantar
Conte ao mundo como eu me sinto dentro
Embora isso possa me custar tudo
Agora que eu sei isto, tão além, eu não posso segurar
Eu nunca poderei me virar pra trás
Agora que eu Te vi
Eu não posso desviar o olhar
Agora que eu Te conheço (eu nunca poderia me virar pra trás)
Agora que eu Te vejo (eu nunca poderia desviar o olhar)
Agora que eu Te conheço (eu nunca poderia me virar pra trás)
Agora que eu Te vejo (eu acredito que não importa o que eles dizem)

Segunda-feira, Outubro 02, 2006

Satellite - P.O.D.


Eu tento imaginar quão claro que é a vista daí para cá
Sem obstruções, essa corrupção egoísta
Tudo isso nessa atmosfera
Sem medo, sem lágrimas, apenas tempo para tomar fôlego
Eu fracasso para inalar
Seu amor aperta o meu peito
Confusão me cega, mentalmente e fisicamente
E por sua causa que eu agora posso ver
Então dá para fugir?
Eu sigo o Filho e viajo para Sião
E danço essa última canção de liberdade
Mas apenas o tempo vai dizer se é tudo realmente verdade
Não posso mudar sua opinião, apenas sei que é isso que eu sinto
Estando certo ou errado, por favor mantenha minha vida em sua vista
E nunca tire seus olhos de mim
É realmente único,
como uma estrela brilhante, pela noite afora, você está ai?
Meus olhos procuram,
apenas o que está por traz dessa minha cega noção, ela é genuína?
Por que as vezes, ela engana minha mente,
alguns chamam de estupidez
Mas é como amor ou ódio, agora isso é real ou falso?
Por que é um assunto delicado, mas essa é sua escolha
A questão agora é, me ajude entender, esse é o seu plano?
Eu acho que posso, posso eu achar,
então eu acho que posso
Porque eu não vou ceder (não),
e eu não irei me abalar (não)
Com mãos erguidas para esse Homem (Jeová),
Eu permaneço na fé
Eu vencerei, minha crença em você
Fecho meu olhos, faço um desejo, beijo o céu E lá, eu te vejo...

Eu beijo o céu
E lá, eu te vejo!

Segunda-feira, Setembro 18, 2006

A importância do NÃO.

Outro dia estava conversando com uns amigos quando comecei a falar sobre o fato de hoje dizer mais NÃOs que ontem. De repente, aquela afirmação minha me fez saltar os olhos pra uma realidade tão necessária na minha vida: a importância do NÃO.
Acontece que estou entendendo aos poucos a importância e a necessidade de se dizer não, de negar pedidos às pessoas, de dizer não a atitudes erradas que eu vejo em minha frente. Eu estou aprendendo a não aceitar tudo o que me falam, a não querer tudo o que me oferecem, a não sorrir quando não quero e a não chorar o tempo todo. Também estou muito convicta de que não quero viver de acordo com o que enxergam pra mim, de que não devo ser somente aquilo que me deixam como opção. Estou preferindo dizer NÃO a muitas coisas.
E o fato disso estar acontecendo comigo é que tenho ouvido muitos nãos também. Tenho ouvido de mim mesma muitas negações. Já ouvi Deus dizer “não, filha” várias vezes, e percebo que cada NÃO teve uma importância, um significado tremendo. Deus não administra a minha vida pela conveniência. E cada investimento que Ele tem feito em mim implica em negar outras coisas que não me levarão a estar onde Ele quer. Isso sem contar que, por meio dessa didática, Ele tem me ensinado a negar posturas de quem está à minha volta e de mim mesma.
Um desses amigos me deu uma dose de realidade que tem me feito pensar: é uma decisão pessoal. Dizer NÃO nem sempre é fácil, confortável. Podemos ficar receosos com o que pensarão de nós; podem nos achar egoístas, covardes etc., mas aceitar tudo é a maior covardia que pode existir; é não se comprometer com a verdade dos fatos, é não se responsabilizar nos grandes dilemas e nas questõezinhas da vida.
Se posso dizer NÃO a mim mesma, posso faze-lo com tudo o mais. E isso não tem que soar mal. Isso pode trazer o BEM.
Se Jesus mesmo me disse pra não me conformar, para não me formatar, para não me encaixar nesse mundo, por que eu vou me obrigar a estar sempre de acordo com o que encontro por aqui?!
NÃO. Eu também posso decidir por ele quando precisar. Acho que hoje preciso...
...preciso entender e optar pelo NÃO, mesmo que seja o mais difícil.