sábado, setembro 17, 2016

Outra



Nem sei se ainda consigo fazer isso.
Nem sei se ainda sei fazer tantas coisas. Sinto-me absolutamente inútil e despreparada.
Estou doente e exausta. Sofro há anos com dores diversas, nada silenciosas ou disfarçadas. Meus sofrimentos são claros, explícitos e demonstrados...todos veem, mas parecem não se importar mais. Parece que se acostumaram em me ver inerte, histérica, triste, ultrapassada, obsoleta, outra. Parece que desistiram, se é que um dia tentaram entender o que se passa na vida de uma pessoa triste, amargurada e chata. Sou tolerada, as pessoas me suportam, me aguentam porque não sabem o que fazer. Que bom pra mim...eu também não sei.
Meus clamores já são retóricos. Minhas lágrimas me envergonham tanto. Choro sempre. Choro demais. Choro o tempo todo. Meu choro sequer me revigora. Só me cansa. Tudo me cansa. O tédio é a certeza e o componente mais presente na minha alma. Tudo é clichê, vaidade, passageiro, nada. Ando desgastada, sem energia, sem absolutamente nenhuma paciência. Não tenho amigos, nem projetos, nem ações. Meus compromissos também foram reduzidos a quase zero, pois tenho me poupado de tudo aquilo que me gasta, que me consumiu por anos, que me deixou sem tesão de um mundo de coisas...e os poucos assuntos que me interessam parecem distantes, difíceis, pra outros tipos de pessoas.
Não tenho programas, lazeres, hobbies...tenho vícios e postergações. Ando como um zumbi, na camada cinza da existência...tão doente e tão consciente disso quanto o ar que respiro. Mas ninguém respeita minha doença. Pelo contrário, parece que me entregaram pra ela de bandeja. Caminho só, vivo só, nem me lembro de quem fui. Sou outra pessoa, cheia de culpas, pesos, cobranças internas. Sou um carregamento de frustrações porque minha esperança tem sido longa...esperança estendida, que não muda, mas nada faz por mim.
Posso saber pra onde vou, mas não sei mais por onde seguir. Minha fé tem me mantido refém, mas pouco viva. Eu tomo café sozinha, almoço sozinha, janto sozinha, canto sozinha, observo sozinha...e como falo sozinha, durmo sozinha e choro sozinha. Estou cansada de viver pra mim...
Não tenho forças pra lutar contra isso. Já tentei e pensei tanto. Já pedi, refleti, acreditei tanto. Meu esforço e minha luta parecem fraqueza no dia-a-dia. Minhas queixas são encaradas com desprezo e incredulidade. Reclamo demais e não quero e nem faço por onde. Talvez seja tudo verdade. Talvez eu só precise mudar e nascer de novo. Como eu queria nascer de novo. Mas ao que parece, e eu confiava nisso, isso já teria acontecido.
Então por que tanta mágoa e fraqueza? De onde nasce tanto aprisionamento e frieza? Tanto desespero e amargura? Não sei e já nem quero mais saber. Não quero voltar a lugares de dor. Já me basta o meu presente. Não quero e não vou mastigar meu passado com resignação e determinação para o futuro. Quero que meu passado se dane. Se eu não tivesse, talvez não olhasse a vida com olhos tão marejados. Sonhei com outro presente pra mim e nada me aconteceu. Aliás, aconteceu torto, estranho, sem emoção alguma. Minhas emoções e expectativas caíram numa imensa rotina de tanto faz. Nenhuma poesia, romance, sucesso. Pelo contrário, portas fechadas, traições sérias, indiferença absurdas. Nunca quis plateia, nem gaiolas. Odeio aprisionar minha mente, meus valores, meus sentimentos. Odeio gente aprisionada, conformada, cheia de poucas vontades. Odeio a fome, odeio a sede...
Que a minha libertação não venha tarde, em uma era de pouca beleza para desfrutar. Em um momento de pouca identificação com os sonhos, de tão mofados que estão...que venha logo, porque tenho desejo de viver, por mais que tudo indique o oposto.

O que há dentro de mim interessa e diz tão pouco, mas espera tanto de tudo e todos.

quarta-feira, maio 22, 2013

E agora, Jonas?



E agora, Jonas?
Por quantas aboboreiras irá se queixar?
Por quantas bobeiras se revoltar?
E por quantas razões se explicar?

E agora, Jonas?
Com quais argumentos você vai reclamar?
Com quais pretextos se justificar?
Até onde pretende chegar?

A verdade é que você simplesmente parou
Talvez seja isso, então
Definiu outro rumo, outro desejo
De fato, nem queria estar onde está

Mas aí está você, Jonas
E agora, como será?
Não pode ficar à sombra do provisório
Nem mesmo poderia se esconder na profundeza
de um gigantesco ser, num gigantesco mar...

Mas e aí, e agora?
Você tem estado certo sobre tudo:
Não estava pronto, nem disposto
Ou será que um dia esteve e ninguém registrou?
Ou será que um dia sonhou?
Tão alto, tão longe, tão profundo que precisou acordar...
pra encarar quem não queria
e se envolver com o que detesta

E agora, Jonas, como será sua vida
a partir dessa amargura?
Como será enxergar essa realidade tão dura
que não te deixa sonhar, nem se isolar
E determina outros focos pra você?

O que será da sua vida
Sem as aboboreiras,
Sem coragem de um dia,
Sem vontade alguma de amar
O que só lhe trouxe dor?

E agora, Jonas?
Pra onde você vai?
Vai fugir ou ficar?
Sonhar ou amar?
Crescer ou chorar?

E então, como será?

domingo, outubro 07, 2012

Aurora


Eu preciso que tua paz me invada,
Me arrebate um pouco, já estou quase louco
Que tua força seja compartilhada,
Derramada um pouco, dividida

São muitas negativas, poucos argumentos
Tantas as vezes que eu tentei
São lutas tão antigas,
que trazem o sofrimento
Que eu não quero mais enfrentar

Eu quero poder abrir os olhos
E ver de verdade que muita coisa já mudou
Poder sentir o bom perfume
E sorrir, que amanheceu
A aurora tão sonhada aconteceu...

Eu preciso ouvir algo são, 
Contundente, transformador
É infantil andar tão dependente
De coisas tão banais e superficiais...

São muitas as promessas, poucos cumprimentos
Tantas as vezes que eu acreditei
São alianças fortes, definitivas 
Como a morte e a vida...

Eu quero poder abrir os olhos
E ver de verdade que muita coisa já mudou
Poder sentir o bom perfume
E sorrir, que amanheceu
A aurora tão sonhada aconteceu...

Aurora, aurora...
Que o meu dia seja perfeito!
Aurora, aurora...
Que o meu caminho tenha a tua luz!


(Pv. 4.18)


domingo, maio 27, 2012

Sobre essa coisa de ter opinião.



Aiai...canseira, viu. Lidar com gente nunca foi fácil; ser gente então, pelo que vejo nos últimos tempos, tem sido tarefa árdua pra muitos. Dá no saco falar sobre isso, mas como também tenho opinião e esse é o meu espaço, farei isso...rs.
      Com esse boom da internet muitas coisas que pra mim já eram evidentes ficam bem mais escrachadas, fáceis de comprovar. Essa carência das criaturas vaidosas por algo que vai além da atenção (vamos combinar, atenção não é a carência maior das pessoas...nada disso, atenção não é difícil de conseguir...o que a maioria quer mesmo é ser popular, famoso e endeusado um dia ou todos os dias e momentos da vida). É só ligar o computador e ir para qualquer site, que está lá: eu exibo o que penso e, mais que isso, eu “procuro pensar” em algo para exibir, de fato...e alguns, ainda mais preguiçosos, simplesmente procuram algo para copiar ou gerar um comentário a fim de exibir algum tipo de postura, de pensamento, de opinião...como nós precisamos opinar, meu DEUS!!! É o oxigênio dos dias atuais. Nós temos a necessidade de que as pessoas saibam o que pensamos sobre tudo, mas que inferno!! Mas o pior é que não pára por aí...eu preciso que a minha opinião seja compartilhada com o mundo e o mundo corresponda com o que eu penso porque simplesmente não posso deixá-la no foro íntimo das minhas amizades e das pessoas com as quais convivo, como privilégio exclusivo de quem me conhece e/ou é importante pra mim de alguma forma. Queremos transpor a intimidade da opinião, a individualidade do que nos tem valor, queremos expor sempre o que pensamos a respeito de tudo e esquecemos que isso é a escravidão da auto-justificação ou da ofensa gratuita. Exatamente, ou achamos mesmo que qualquer opinião emitida sobre qualquer assunto não repercutirá em respostas contrárias, protestos e desafios sobre comprovações a respeito do que afirmamos como verdadeiro? Mas que burrice! Será que é tão difícil perceber que ao mesmo tempo em que seremos aprovados, incentivados, elogiados a respeito do nosso posicionamento estaremos também sendo confrontados, argüidos, ridicularizados por quem pensa diferente? Por favor, gente...não existe imparcialidade, paremos de brincar de crianças civilizadas. Não somos assim e pronto (odeio generalizar, mas nesse caso é inevitável). Não somos mesmo; somos parciais, passionais, emocionais e animais...rs...sempre, a respeito de tudo.
     Sinceramente, tenho certo desprezo por quem quer convencer às pessoas de que tem uma opinião própria, não-afetada por nada nem ninguém, como se fosse a mente mais original e auto-suficiente do universo, que aprendeu a pensar sozinha. Mas que conversa fiada...ninguém aprende a pensar sozinho, ninguém mesmo se constrói sozinho, por mais que sua personalidade seja forte. Vou ficando velha, vou aprendendo com o tempo a enxergar isso com honestidade. Tenho a personalidade forte e nunca fui Maria-vai-com-as-outras mesmo...nem quando eu era criança; sempre me apeguei à minha consciência com a fidelidade de um cão, simplesmente porque essa é a minha natureza. A Joseli nunca foi uma pessoa levada a se posicionar a respeito do que não acreditava, nunca também – graças a DEUS – precisou passar por isso (não cresci num regime ditatorial, não fui oprimida e forçada a nada, a não ser trabalhar, estudar...essas coisas de gente normal), mas não sou ingênua de pensar que minha opinião não é afetada, que não sou influenciável. Bobeira isso, gente...sou sim, e muito. Sou influenciável naquilo que quero, que desejo ser, é assim que funciona. Eu me permito influenciar ou não, eu escolho, eu realmente aprendi a pensar. E aprendo a cada dia, ouvindo as pessoas, vendo a vida e me orientando pelo que me toca no coração, na mente, na alma verdadeiramente. Eu não me orgulho de todas as inclinações que tenho, de todo o conteúdo do meu caráter ou temperamento, mas da maior parte deles...quero mudar também, preciso disso enquanto viver aqui nessa doidera de mundo, não tenho pretensões de virar um fóssil ou uma única versão nesta vida. Apenas na eternidade mesmo, na vida que mais quero, é que conseguirei ser a melhor que posso, já livre de toda mágoa, mesquinhez e limitações...mas aqui, aqui não...aqui tenho que mudar pra me adequar, porque aqui é estranho pra mim verdadeiramente. Sempre será assim até eu me encontrar com meu lugar original, no meu lar original, na minha natureza original...eu realmente penso e sinto isso com a potência de um vulcão dentro de mim e ponto. Nunca tive e nunca terei medo de assumir isso, embora saiba que não serei compreendida ou respeitada por todos por pensar e sentir assim.
       Mas voltando...rs...confesso meu desprezo e “pena” (muito rasa essa pena mesmo porque pena mesmo eu sinto de quem precisa), dessa gente que confunde conceito com preconceito, por exemplo. Vá comer capim, não sou obrigada, viu...rs...hoje em dia você não pode ser contra nada, que você é preconceituoso...o interessante é que as mesmas criaturas que levantam as mil bandeiras contra o “preconceito” são aquelas que despejam todo seu “preconceito” na cara de quem não concorda com elas. Eu vejo isso com um sentimento que nem sei definir, sabe...me dá um mega desânimo de ter que lidar com esse tipo de postura idiota, infantil e desequilibrada. Não dá pra argumentar com quem acha mesmo que eu sou contra as cotas raciais, por exemplo, porque sou branca e etc...pelo amor de DEUS, vai pensar fora do Twitter, gente! E por aí vai...se for assim, eu teria preconceito com o mundo, porque tenho uma OPINIÃO FORMADA a respeito de diversos temas, como: machismo, feminismo, cotas raciais, criação-de-crianças-deformadas-por-psicólogos-irresponsáveis, homossexualidade, meio-ambiente, família, religiões diversas, relativismos, legalismos, puxa-saquismos, auto-afirmação de gente vazia etc etc etc...caramba, eu sou um Monstro do Lago Ness! Tenho opinião, cabeça formada sobre esses temas, e isso deve amadurecer a cada dia porque é o que eu busco, o que não significa dizer que esses meus conceitos necessariamente irão mudar. E pronto, e é isso. E todos somos assim, ou deveríamos ser, é o que eu penso. Deveríamos ser mais comedidos no que se refere ao respeito aos outros e, especialmente, a si mesmo. Não deveríamos criticar tudo que podemos, deveríamos pensar se vale a pena. Assim como não deveríamos no calar em momentos em que a nossa opinião ou postura valeria de algo produtivo, útil e legítimo. Sempre achei isso, a gente deveria ser mais respeitoso, no fim das contas e ser respeitoso não é ser inconsistente, “vaselina” ou superficial. Pelo menos não deveria ser assim.
        Então, se a minha forma de pensar te ofende, entenda que minha forma de viver não foi projetada para isso. Creio em DEUS e o amo acima de tudo e isso implica, sim, em ter uma vida que abençoe as pessoas acima de qualquer diferença. Creio em Jesus Cristo e me espelho em seu caráter e isso implica, sim, em acolher as pessoas em suas fraquezas porque ele me acolheu e sempre o faz quando eu preciso. E também creio no Espírito Santo e isso me constrange, sim, em ser uma pessoa mutável, renovável, submetida pelo senhorio gentil, dignificante e enobrecedor de um DEUS que não faz média comigo nem com ninguém, que não se auto-justifica ou careça de defensores para ajuizar seus propósitos. Creio que faço parte desses propósitos e todos deveriam fazer e, por isso, minha fé e minha consciência me levarão sempre a ter uma vida respeitosa e nada relativa diante de temas que exijam uma postura de minha parte. 





segunda-feira, maio 14, 2012

Vem me confortar


Vem me confortar
e alinhar meu coração
que precisa de santidade

Jesus, me ajuda a preencher
cada espaço com teu ser
tu és tão maior que eu

Vem corrigir minha oração,
vem dominar minha emoção
porque sou totalmente teu
Minha independência se desfaz
em tua grandeza posso mais
Nas tuas mãos há bom caminho

Tu és o príncipe da paz,
Tens o amor que satisfaz
E eu estou tão exposto ao teu olhar, Senhor
Se é arriscado aqui viver,
Eu sempre vejo o teu poder
Quando estou confiado em tua palavra...

(E a tua paz que excede todo entendimento
Guardará meus pensamentos,
Guardará meus sentimentos...
...em Ti!)



(cântico escrito em 18/02/2011)

sábado, maio 05, 2012

Sobre filhos ruins, seus direitos e liberdades.



Depois de algum tempo, volto a escrever. Especialmente por ser esta a melhor forma de expressar meus pensamentos e opiniões. E retomo a percepção de algumas falas que tenho ouvido ultimamente.
Acho intrigante perceber alguns amigos criticando a famosa parábola do Filho Pródigo (Lucas 15.11-32). Sim, aquela exaustivamente pregada, estudada e interpretada. Portanto, não é a minha pretensão trazer algo inédito a seu respeito, apenas considerar que, de fato, os anos e as gerações passam, as experiências são as mais plurais possíveis, mas as pessoas não aprendem. Não só a respeito da ilustração da parábola, não aprendem sobre a vida e as oportunidades de crescer em seu relacionamento com DEUS. De repente, é fácil e prático “tirar da bíblia” aquilo nos incomoda na alma, e nos escancara o quão simples e claro é o princípio da graça de Deus, mediada por Jesus e expressa nessa estória.


A graça oferecida pelo pai que, pacientemente, permite a auto-suficiência de um filho que sempre foi cercado de seus cuidados – e continuará dependente de seus recursos e provisão –  e, em respeito à sua liberdade, o deixa ir...ao mesmo tempo que permite seu outro filho viver do benefício do acolhimento do lar, não apenas para servir mas também para se relacionar com ele. A graça do pai, que espera e acolhe de volta o filho que se foi, mas que também sustenta o que permanece. O problema é que filhos querem sempre seus direitos, querem sempre algo além de estar com o pai. Os filhos de hoje e de sempre se acostumaram a estabelecer sua filiação através de direitos e deveres e projetam no DEUS-Pai essa percepção desajustada. Somos filhos ruins, todos nós, os pródigos e os mais-velhos-cheios-de-justiça-própria. Queremos sempre colocar o pai contra a parede e exigir nossos direitos, antes ou depois. Vivemos esse relacionamento doentio com DEUS, quando não percebemos sua graça, seu favor que não merecemos, sua generosidade em nos dar o que precisamos e em nunca nos negar isso...mas exigimos que ele nos dê o que queremos, pois somos filhos e temos direitos!
A verdade é que, se não “matamos” o Pai antes da hora e vamos curtir a vida adoidado com o que temos à mão agora, muitas vezes vivemos cinicamente almejando por receber nosso fundo de garantia espiritual, mediante o nosso “bom serviço” em sua casa. Sim, porque sabemos argumentar muito bem a respeito do que temos feito pra DEUS e da recompensa que nunca recebemos dele, como desabafou o filho mais velho, o incapaz e insensível que se ressente da reconciliação de seu irmão mais moço que volta acabado, arrasado, mas volta pra casa. Penso seriamente nisso: onde colocamos o nosso coração e a nossa auto-imagem ao nos mostrarmos ressentidos com o perdão que Deus oferece ao nosso irmão?! Que lógica maligna atormentava a vida daquele filho que não foi embora, mas sempre quis ter ido – sim, porque quem fica conscientemente de que aquele é o seu lugar ideal, jamais se ressente de receber o outro de volta, tampouco das “alegrias desfrutadas” pelo outro no tempo que esteve fora de casa - ?! Não há inveja do mundo, quando se desfruta da alegria de viver com DEUS, como filho. Mas quem não aprende a viver como filho, se conformará e sempre se ressentirá por viver como um serviçal qualquer. O pai, todavia, respeitará nossa escolha.





Acho mais interessante ainda é que, via de regra, as pessoas que menosprezam esse texto dificilmente se enxergam como o pródigo ingrato, nunca vêem em si mesmas o caráter de um filho que dá as costas pro pai sem remorso e faz o que dá na telha...pelo contrário, parecem tomar as dores do “filho justo” que precisa chamar a atenção do pai, invocando direitos e méritos próprios. Não se atentam para o fato de que o pai repartiu a fazenda entre eles e podiam fazer escolhas, e ambos os filhos escolheram mal. Porque eu posso abrir mão de ser filho indo embora, bem como posso abrir mão de ser filho ficando como um empregado qualquer. Nenhum pai, no céu ou na terra, é capaz de forçar o amor de um filho que não deseja a proximidade.


Como Henri Nouwen fantasticamente escreveu, todos somos pródigos, desperdiçadores da graça de DEUS. Todos, também, carregamos a ingratidão de um filho que não teve coragem de ir, mas se tornou ainda mais insensível com a vida que o próprio irmão que comeu as bolotas de porco! O surpreendente é que eu sei em mim – e ninguém me rouba essa consciência – de que sou pródiga todos os dias da minha vida e sou inclinada a me auto-justificar pelas minhas boas ações, se deliberadamente não me entregar ao amor do Pai que sempre me espera e sempre me suporta...mais ainda, do Pai que sempre e independentemente de quem eu sou, me ama. Sou pródiga quando alcanço uma relativa e cega autonomia que me leva à perda de minha identidade, à lama, ao desvalor próprio e à distorção de minha imagem de filha de DEUS; sou uma infeliz, se já não consigo me alegrar com a alegria do meu Pai, com o fim de sua dor e tristeza, ao ver retorno do meu irmão à casa de DEUS. Mas sempre guardarei essa lindíssima parábola no coração, se compreender que pela graça de Jesus e por seu exemplo prático, radical e incontestável, eu posso, sim, aprender a ser filha de verdade.


Obrigada, meu Pai, por seu amor e compaixão!






quarta-feira, novembro 30, 2011

Nem pensar!

Eu não vou viver com a tua ausência
como se fosse capaz de seguir
disfarçando a solidão medíocre e comum
de quem conseguiu te esquecer
Isso não é pra mim...e seria o fim

Deixo pra nunca a morte lenta
que se instala nos dias vazios de gente tola,
E não vou me rebaixar à condição de vítima
de minhas escolhas erradas,
nem das decisões precipitadas de outras pessoas
Eu já fiz minha escolha

Sem dúvida alguma, eu me acostumei
com o teu nome em mim,
com a música nos pulmões,
e a sonhar com os pés no chão
Já dialoguei com a sabedoria e a grandeza,
Já experimentei a certeza
E, se muitas idealizações já se foram,
não importa: eu ainda sonho contigo
e todos os meus sentidos te desejam ainda mais

É dia e já amanhece...
entendo que, além da impossibilidade,
também é real a ausência de vontade
de voltar atrás,
de negar o bem,
de me apegar ao que não nasci pra ser...

Continuarei a ter espírito
forte o bastante pra me manter ao teu lado
Porque jamais...
...jamais desejei ser tua ofensora,
Como eu poderia me esquecer de sorrir?
Rejeito a vida sem o meu DEUS,
renego qualquer tentativa vã
de tentar sem o Senhor

Até aqui, tudo valeu a pena!
Nada me falta, Pai...nem foi em vão
“Põe-me como selo
sobre o teu coração...”

sábado, setembro 17, 2011

O profundo e o escondido.


“Você me reduziu demais. Dentro de você, fui feito infinitamente menor e menos do que, de fato, sou.” Tive de admitir que era verdade quando senti que aquela voz não era só um pensamento meu autônomo e casual. Precisei concordar. Deixei que a noite escura da alma mudasse não somente a minha expectativa sobre Deus, como também redimensionasse meu sentimento sobre Ele. O minha fé não mudou, mas se acinzentou nos anos ruins; deixei-me confundir o caráter de Deus com o dos homens, esqueci que as vitórias também são permitidas aos fracos. Como a rosa do Pequeno Príncipe, me senti vítima de um cuidado anulador, despreparado e triste, como se estivesse numa redoma de proteção contra a vida, longe das superações e da felicidade, afastada do crescimento saudável. Detestei ser alvo de um amor frustrante, frio...eu sempre quis luz e calor, eu sempre precisei disso.
Eu ainda preciso.
E é justamente por isso que às vezes é necessário sentir a brisa, quase imperceptível, de um dia qualquer. Por isso é justo que eu me apegue a um desejo de esperança e segurança na voz que é rara, que é breve e assertiva. O conselho do espírito à mente, que diz que não se pode viver com um Deus assim, bem como é insuportável ser crido desta forma. São duas perspectivas igualmente infelizes, frouxas, rasas de prazer. É Deus enfastiado; sou eu insatisfeita. É algo de muito errado entre nós.
Mas há de existir palavra para um acordo...sempre temos de concordar pela continuidade, pela unidade. Já que a vida é comum; somos um, nos despertando e relembrando sempre de que valemos a pena, de que nada pode nos manter reduzidos assim.


"Seja bendito o nome de Deus de eternidade a eternidade, porque dele são a sabedoria e a força; E ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos entendidos.Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz."
(Dn 2.20-22)


sexta-feira, agosto 12, 2011

Perdão, Senhor!!!


Estamos cheios e transbordantes
das verdades particulares.
Estamos certos do que podemos
e dos direitos que mantemos.
Estamos firmes na justiça
que é tão própria, mas nunca a Tua.

Perdão, Senhor...perdão, Senhor!
Perdão, Senhor!!!

Deus, nos realinha na vida,
readquire nosso coração!
Vem, e aviva a nossa memória
do preço da salvação...
E que sejamos corrigidos
para o Teu louvor,
tendo sempre a coragem
de buscar o Teu perdão, Senhor...

Perdão, Senhor...perdão, Senhor!
Perdão, Senhor!!!



(Um salmo de lamentação, composto em 30/11/2010).

segunda-feira, agosto 08, 2011

Ele passou por aqui


Ele passou por aqui.
Não sei se alguém notou ou se importou, mas ele passou por aqui.
Contra fatos não há argumentos, esta casa estava bagunçada demais, sombria demais e ele trouxe luz.
Foi arejada e está mais segura porque ele me visitou.

E trouxe consigo uma paz que não tem substitutos.
Varreu certezas suspeitas que, fazia anos, estavam incrustadas no local,
Fez pernoites e vigílias sem fim
E gastou longo tempo em favor de mim.

Ele sempre retornou em toda emergência
Parecia às vezes nem chegar, mas sempre vinha,
Nunca me deixou gritando sozinha,
Sempre se preocupou em permanecer mais que o necessário.

Nunca houve pressa, nem muitas frases soltas
Havia mais atenção do que respostas
Mais cuidado do que pretensão
Sempre trazia a sabedoria em porções homeopáticas
e a cura nas doses necessárias.

Ele passou por aqui...

Jamais saberei ao certo seus motivos,
Mas desconfio que aqui ele encontrou aconchego e algum calor
Talvez um sorriso bom e uma profunda alegria em recebê-lo

E, de tanto passar,
E por sempre querer retornar,
Aqui fez sua eterna morada
Em mim achou lugar...

Já não há mais ausências nesta casa,
Nem inseguranças quaisquer
Ele é o dono dos recantos e encantos
Do coração desta mulher.





sábado, agosto 06, 2011

Pensando alto

A verdade é que nos enganamos demais.

Somos, volta e meia, levados a crer em coisas que não correspondem à realidade.

Por exemplo, as inverdades a respeito de nossos limites e possibilidades...acreditamos demais em ambas. Acreditamos que sabemos até onde dá, acreditamos que os outros sabem e até mesmo que não dá mais. De todo modo, a vida sempre nos leva à compreensão de que é Deus quem conhece esse assunto. Porque Ele criou e gerou...também porque é Ele quem sustenta a realidade nas mãos. É Ele quem sabe tudo.

Mas o problema maior nem é chegarmos a essa conclusão porque há mentes mais abertas pra isso, pra considerar uma realidade além das vistas e do imediato. O problema é que queremos nos despreocupar e confiar em alguém cujas intenções, de fato, desconhecemos. Mesmo o ser mais íntimo de Deus não conseguiu fazê-lo...a aflição sempre chega aos humanos. O medo de não conseguir, a vontade de desistir, o cansaço em pensar se vale à pena. A verdade mesmo é que dói conhecer nossos limites; dói ter de andar por caminhos extremamente desconfortáveis a fim de entendermos o que podemos e onde devemos parar e dar meia volta. Dói extrapolar as emoções, as falas e teorias pra ter de assumir a vida como ela é e ver que ela é difícil. Dói caminhar em esperança, sim. É tolice negar isso.

Enxergar a eternidade é uma capacidade anti-natural, nada carnal. É se deixar reconduzir pelo mistério, pela dúvida e pela mudança. É ser dominado finalmente, em definitivo, por aquilo que já deixou de ser urgente e passou a ser a única solução. Mas é também experimentar belíssimas surpresas, receber presentes jamais imaginados vida afora. Então, a felicidade deixa de ser alvo e passa a ser estado, certeza, fonte.

quinta-feira, junho 09, 2011

Livre, leve e viva!

Ah, o peso morto...ele acaba com a gente!

É difícil, eu sei, brabo mesmo...mas a gente precisa decidir jogar fora o que nos faz mal. Entender, ser racional a ponto de perceber com clareza que não é nossa obrigação conduzir quem não quer andar. Apenas Cristo opera milagres.

E, olha, quem foi que passou a cola? Quem disse que há obrigação em carregar alguém caído? Não, não há. Que isso ocorra, então, através do amor cristão, sempre...e só. As cargas, nossas e dos outros, devem ser entregues à pessoa de Jesus. Não dá pra somar esforços inúteis.

Em definitivo, não quero mais lamentar as escolhas erradas que fiz, muito menos me martirizar pela burrice alheia. Tem dó...Eu tenho um Pai que acolhe as minhas próprias asneiras e me diz: “Filha, você também soube optar pelo acerto, pelo que me agrada, eu sei. Entre tantos erros e bobagens, você também realizou acertos, consertos em situações inadequadas e más. Não rememore apenas seus vacilos; lembre-se do quanto você é minha em cada um deles.” Eu tenho um Pai que me ensina a coragem que a liberdade exige.

Nenhuma circunstância ou pessoa tem o direito de aprisionar a quem Jesus libertou de maneira sublime. Nenhum fardo além da cruz é necessário, se a assumirmos. Acho que é essa a grande ideia: a cruz é o peso que carregamos em solidariedade, em contrição diante do que Jesus operou. Entretanto, isso é empatia e não necessidade, mais. Jesus já carregou a cruz e tomou sobre si pesos desumanos que cabiam a nós. O fardo, todo, Cristo já levou.

Pra pisar as pegadas de Jesus, a gente precisa deixar o peso morto pra trás, enterrar as realidades de morte e mentira que nos atrapalham viver. Exige-se uma mudança de pensamento e de compostura, além de um desapego ao que não é útil, não nos soma e não nos aproxima de DEUS, ao contrário. Jesus tomou a cruz justamente para vivermos desembaraçados, leves e em paz. Porque a idéia é andar e não se arrastar, lembra???

“Portanto, (...) livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé.” (Hb. 1. 1,2)

segunda-feira, maio 16, 2011

Promessas e apelos

Lança o teu pão sobre as águas
Espera com calma e o verás
É pão, se desmancha por certo
Mas é o incerto que deves provar

Lança o teu olhar pro alto
Dos montes não podem surgir
Socorro, pois montes não agem
Mas há Deus presente em ti...

Ora, planeja e confia
Vigia o caminho e vai
Há mais entre os céus e a terra
Há vida nascendo nos vales de “ais”

Pede, procura e bate
E aguarda a resposta que vem
Pois todo o que crê vê a vida
Através do “sim” e do “amém”

Há Cristo em cada promessa
Sua verdade é amor e paz
Guarda o teu bom tesouro
Em lugar aonde o mal não chegará

És louco, se confessares
Que na cruz encontras perdão
Por este símbolo de mórbido uso
Há quem receba salvação!

Lança tua vida no reino
Visita um próximo a ti
Desata o nó do passado,
Segue a um novo mandado

Lógico nunca será,
Nem fácil de compreender
Que nas mãos divinas se pode lançar
Todo o pensar, sentir e ser...
E ver sempre o incerto acontecer...

segunda-feira, abril 25, 2011

É moda agora ser ateu?

Excelente texto do Carlos Sider. Compartilho...porque também tenho andado bem cansada de certos cinismos...

Quer seja crente ou ateu...seja apaixonada e confiadamente. Seja convicto e rendido...não seja um ateu nem um crente cínico. Essa é a pior das infelicidades! Seja capaz de fazer pulsar sua cosmovisão a respeito disso! Não discurse sobre DEUS nem o questione...o ateísmo ainda não provou a inexistência de DEUS e se demonstra tão sabichão...sim, é trocar a fé cristã por uma outra fé, sem dúvida. Não há indiferença no ateísmo; apenas confusão. Uma lástima é que há tantos ateus funcionais se disfarçando de crentes e até de cristãos! Aff...
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É moda agora ser ateu?

por Carlos Sider, domingo, 24 de abril de 2011 às 17:51

Não me lembro de assistir tanto marketing em torno do ateísmo como se vê agora. Blogs cristãos citam ou transcrevem autores ateus que parecem proliferar – tanto blogs como ateus. Muitos “saem do armário” e declaram-se ateístas. Algo um tanto pessoal para mim, uma vez que entre eles – há uns quatro meses - meu irmão, um pouco mais novo do que eu.

Como não dar atenção a algo assim? E como dizer que a gente não se entrega a – no mínimo – se perguntar o que está acontecendo? Qual seria a raiz – ou raízes – destes tantos e recentes movimentos?

Descobriram o ateísmo? Não! É coisa antiga... Nem tampouco apareceu algo novo na ciência que possa provocar abalos na fé cristã. Os argumentos antibíblicos, evolucionistas, sei lá mais o quê, são os mesmos de tempos atrás. Por mais se tente, a ciência não explica a Bíblia nem tampouco a evolução.

Cheguei a concluir algo? Francamente não. Pouco tempo depois da declaração de meu irmão, confesso que tive meus impulsos em convencê-lo apologeticamente que ser cristão é mais lógico. Mas felizmente desisti. Deus não se explica com lógica. Deus, aliás, não cabe em qualquer explicação.

Enfim, prefiro aqui dizer o por que não sou um ateu. O que creio e o que sei a respeito de Deus pode ser pouco, mas para mim é mais que suficiente.

O que eu posso conhecer de Deus não vem de meu esforço em buscá-lo ou estudá-lo. Eu conheço a Deus porque Ele se revelou a mim. E só conheço o tanto que Ele se revelou, nem mais nem menos. O tanto que Ele não se revelou (ainda) permanece como um bom e doce mistério que algum dia vou entender.

Comecei a conhecê-lo por meramente “olhar pela janela” e ver o mundo material. Constatar que havia alguém por trás de tudo foi um bom começo. Concordei com a idéia e concordo até hoje.

Também fui também ensinado a considerar a Bíblia, que me foi apresentada como a Palavra do Deus criador. Ela me ensinou a provar e ver que este Criador era bom, e foi o que fiz. E nesta Palavra Ele não se mostrou apenas Criador, mas também Salvador. Chegou o dia em que decidi abraçar o seu projeto para mim, e assim tem sido. Tenho hoje na Bíblia um guia de consulta. Não apenas porque me ensinaram assim, mas porque ela sempre funcionou para mim. A Bíblia só não funciona quando é distorcida e pega emprestada para justificar alguma asneira humana.

Tive meus tempos de revolta com a religiosidade instituída? Sim, tive e ainda tenho. Chego a dizer que ela mais atrapalha do que ajuda na hora de alguém se encontrar com Deus. A religiosidade e a instituição ficam na frente, fazendo com que muitos pensem que Deus só pode ser encontrado através delas. E nada mais antibíblico do que isso.

Mas, voltando a Jesus, Suas próprias palavras me apresentaram o Espírito do Deus consolador. E a convivência com este Espírito me faz saber que sou Dele. A Bíblia diz e eu sei que Ele me consola, me convence, e que trabalha em mim estabelecendo contato, frutificando em mim no que preciso, e me fazendo produzir algo útil também para outros.

É possível explicar tudo isso com lógica? Não, não dá. Como já dizia Paulo, o apóstolo, essa história é loucura para uns, escândalo para outros. Mas estou entre os que dizem que esta história é vida, e vida das boas, vida eterna – cuja perfeita definição é a de Jesus: é conhecer ao Deus Pai e a Jesus, enviado por Ele.

Seguir a Deus (ou não segui-lo) não é uma decisão lógica que se faz pesando prós e contras. É dizer sim (ou não) a um convite feito pelo próprio Deus. E caminhar com Ele é um misto de experiências, que envolvem conhecer a um Deus que está acima deste mundo, cujas idéias e princípios são muito mais altos e complexos do que os nossos. É conviver com o divino, o sobrenatural, com o inexplicável.

O que posso dizer aos ateus (caso algum esteja interessado em me ouvir)?

Deus a gente não explica. A gente conhece.

quarta-feira, abril 20, 2011

O poeminha que sempre lembro na época da Páscoa!


"A PÁSCOA"

A PÁSCOA, AO CONTRÁRIO DO QUE DIZEM
NÃO É NADA DE BOMBOM
A PÁSCOA, NA VERDADE
REPRESENTA A RESSURREIÇÃO

RESSURREIÇÃO DAQUELE QUE NOS SALVOU
OU SEJA, DE CRISTO JESUS
AQUELE QUE PAGOU OS NOSSOS PECADOS
COM SEU PRÓPRIO SANGUE, LÁ NA CRUZ

E RESSUSCITOU PARA NOS AJUDAR
A SEGUIR O SEU CAMINHO
VIDA NOVA ELE QUER TE DAR
NUNCA TE DEIXARÁ SOZINHO

JESUS DE TI NADA QUER
PORQUE ELE TUDO JÁ TEM
ELE SÓ QUER QUE VOCÊ O ACEITE
PARA TER VOCÊ TAMBÉM

MAS SE QUISERES FICAR COM O BOMBOM
E DESPREZARES AO SENHOR,
FICARÁS COM MUITA SEDE,
MUITA SEDE DE AMOR

E SE FICARES COM SEDE DE AMOR
QUERENDO ÁGUA PRA BEBER
PEÇA ÁGUA AO SENHOR
QUE ELE VAI TE ABASTECER

A ÁGUA DO SENHOR É DIFERENTE
SE A BEBERES NUNCA MAIS TERÁS SEDE
RECEBERÁS A VIDA ETERNA
E SERÁS FELIZ PARA SEMPRE!

(Joseli Dias)


Como disse recentemente a uma amiga, "eu fui uma criança crente mto feliz!" (risos).

Esse poema foi escrito quando eu tinha uns 8 ou 9 anos de idade e estava no ensino primário. Era uma atividade escolar ter que expressar em desenho, texto ou qualquer outro tipo de arte o que achávamos da Páscoa. Surgiram, logicamente, muitos coelhos e chocolates como referências motivacionais...mas fazer o que, se a minha referência singular sobre a Páscoa já havia sido mudada?
Acabou que a profª se admirou, o papel se perdeu no tempo, mas o tal poema nunca, nunca saiu da minha memória. Ele me emociona, sim. Como diz a verdadeira palavra: "é da boca das crianças que vem o perfeito louvor" (Mt 21.16). Eu nunca, jamais me cansarei de agradecer a Deus pelo privilégio de ter conhecido verdades tão profundas como essa já na primeira infância!!! É o tipo de coisa que faz meu coração transbordar...até porque é a RESSURREIÇÃO a base principal da fé cristã. Se Jesus não ressuscitasse, o que seria de sua vida e obra? O que o distinguiria de outros "mártires" históricos? Qual seria a esperança dos crentes, pois o próprio apóstolo Paulo é enfático:

“E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se esperamos [“temos esperança”] em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem.” (I Co 15.17-20)

Sim...JESUS RESSUSCITOU! Venceu o último inimigo, a MORTE! E hoje reina à destra do Pai e vive em todos os que recebem o Seu Espírito. Ele está VIVO e oferece vida, como esse tão simples poema revela...água da vida, água que sacia pra sempre...

Como não perceber o poder de Deus ao revelar tanta beleza e convicção a uma criança?! Como não dedicar cada dia da minha vida em adoração a um Deus assim?! Como esquecer das grandes verdades expressas na vida e na história de quem, com a inspiração de Deus, pode escrever verdades profundas como a da ressurreição?!!! Sim, eu me glorio. Sempre me gloriarei no DEUS da minha salvação!!!!

ELE VIVE EM MIM!!!!!




sexta-feira, abril 08, 2011

Tanto Luto! (Ariovaldo Ramos)



O que há por detrás de tanta barbárie? Nós: Seres humanos. Nós!

Ao chorar por essas crianças, choramos também por nós, por todos nós indistintamente. Precisamos perceber que nosso grande desafio somos nós mesmos. Perceber que há maldade em nós. Precisamos cuidar melhor de nós. Precisamos de zelo pela dignidade humana; de acesso a saúde em todos os sentidos, desde sempre: de uma escola onde um garoto estranhamente diferente possa ser ajudado enquanto é tempo.

Precisamos que todo o esforço não seja para, meramente, melhorarmos na vida, mas, para que a vida melhore em nós.

O que me consola é saber que Deus, segundo Jesus de Nazaré, está lutando por nós, o gênero humano. Que tanto luto não mate a esperança.



(Fragmento. Leia mais em: http://ariovaldoramosblog.blogspot.com)



sexta-feira, março 25, 2011

Tesouros

Sim, você pode sonhar
E também se empenhar
Em construir algo bom
É...você deve buscar
Caminhar mais um pouco
Para o muito achar
E justo é confiar sempre mais
No amanhã que se dispõe a chegar

Vista roupas novas, de coragem
Tenha passos firmes na viagem
Mas não force muito
Os braços com a bagagem
Carregue sempre com você o essencial...

O seu coração não pode levar
Entulhos em que Deus não vá se acomodar
O seu coração não deve carregar
O Senhor de toda glória
Pra qualquer lugar vulgar
Todo dom perfeito
Ele já te entregou,
Toda boa dádiva te ofereceu
Faça o melhor e abençoe muito mais
Viva cada dia se permitindo
Viver como um projeto de Deus


Vista roupas novas, de coragem
Tenha passos firmes na viagem
Mas não force muito
Os braços com a bagagem
Tenha sempre com você o essencial...

...tenha essência, afinal...





segunda-feira, março 21, 2011

"Deus eterno, tua luz pra sempre brilhará!!!"

Daquelas raras canções que atingem algo de profundo em nossa alma, já na primeira vez que ouvimos...



(A melhor versão que achei, até o momento...)

quinta-feira, março 17, 2011

Respeitosamente...

Poucas coisas são tão difíceis essencialmente do que respeitar os outros. Não falo do respeito social, mínimo para a sobrevivência e/ou harmonia nas relações. Este é raro também – convenhamos -, mas nem tanto. Mas sobre aquele respeito profundo sobre os outros, tenho cá minhas reservas... Porque o respeito é fruto da aceitação e da admiração. Acredito que ele precisa dessas raízes. Então, noto que nem sempre as duas estão presentes na nossa conexão com as pessoas. Ora aceitamos a quem amamos, mesmo sem admirar suas práticas e opiniões, ora admiramos e temos em alta conta pessoas com as quais não temos vínculo, não podemos aceitar... Admiramos seus frutos, o resultado de seu trabalho, talento, produção intelectual, carisma etc. Eu acho isso super natural mas, de repente, estranho.

Pensando alto por aqui, não faço juízo de valor sobre isso. Nem posso. Apenas estranho esse fenômeno: o amor se sobrepõe a coisas ideais. O amor cobre multidões de pecados (I Pe 4.8), como diz a Escritura e, eu diria, em paráfrase: cobre uma multidão de falhas, de incompetências e desvios. Cobre as idealizações, o senso comum, as categorias adequadas. O amor é o encontro sempre reincidente de pessoas que não sabem explicar suas afinidades. É aquela centelha que nunca se apaga na distância, na ausência, na falta de contato. É a lembrança eterna de alguém que não se deveria respeitar tanto, às vezes. É a aceitação que evolui, vira respeito, decisão por admirar o que está e é fora de parâmetro. Quem ama, respeita mesmo sem perceber. Quem não respeita o outro, nunca amou. Apenas se conformou em suportar o que não se pode mudar e/ou só aprendeu a ter um ícone distante, uma troca de experiências que não traz vida pra nenhuma das partes.

Quero aprender verdadeiramente a respeitar as pessoas a quem amo. Os meus amigos contraditórios, meus familiares confusos e meus irmãos fracos. Preciso me tornar uma pessoa confiável além da palavra, da aparência, do “esperado”...é realmente um anseio de vida hoje, uma oração sincera. Desejo ser alguém que respeita profundamente as dores, as incapacidades e até as opiniões diferentes sem ser cínica, leviana ou mesquinha. Desejo que saibam que o meu respeito tem limites tanto quanto o meu amor, mas sempre será o requisito mínimo para eu entrar em um relacionamento de amor, amizade, comunhão, parceria e ajuda a quem quer que seja.

Jesus Cristo me respeita além da aceitação. Ele conta com minhas maneiras tortas e loucas de ajudá-lo no reino. Ele me ama respeitosamente, sem me denegrir, sem desprezos e distâncias seguras. Se eu sei como isso funciona? Não...mas sei que é verdade. Não sei explicar...talvez seja porque ele me vê exatamente como sou de verdade (I Co 13.12). Exatamente como ainda não consigo me ver. E, vai saber...Ele gosta do que vê!

terça-feira, março 15, 2011

Raabe

Aquela mulher tão desprezada
Vivia de maneira tão normal
Fazia o que devia,
Esperava o que temia,
Em sua existência usual

Ela prestava atenção
Na agenda de sua nação
Via sua gente ameaçada
Pelo poder exterior e estranho
De um novo povo

E havia um espírito tão incomum
Nessa pessoa fora do padrão
Havia a fé em um Deus desconhecido
Que realizava prodígios
Na história dos seus

E estava ali, em sua realidade
A triste verdade
De ter que receber
Os homens vigias
Do povo inimigo
E então Raabe[1] decidiu crer

Sempre é possível preferir acreditar
Contra todas as notícias desfavoráveis
A fé nem sempre é adequada
Ao que nós somos e podemos viver

Sempre é possível escolher acreditar
Nos feitos do Deus
De quem temos ouvido falar
Pois pode até ser
Que Ele venha acolher
Essa tão estranha fé
De quem nem sabe quem é...
Ou pode vir a ser

Foi essa mulher desprezada,
De rotina tão desprezível
Que aderiu a um olhar diferente
Sobre os acontecimentos ao seu redor

Hoje ainda podemos, como cristãos
Observar os momentos difíceis como um novo sol
A nos prover liberdade da vida comum,
Do destino de morte e dor,
Do senso de desvalor!

Deus vai além de seus feitos mais famosos,
Ele consegue chegar ao profundo do olhar
E seus próprios olhos percebem aqueles
Cujo coração é totalmente dele[2]
Mesmo sendo inaptos, com a vida prescrita

Porque há um povo sobre esta terra
A manifestar a graça recebida,
A graça pouco conhecida
Que só os desamparados conseguem enxergar

A graça que faz com que homens e mulheres
Tão desprezados,
Que vivem de maneira tão normal
Fazendo o que devem,
Esperando o que temem,
Em sua existência usual...

Possam ser heróis da fé[3]...

Porque sempre é possível
Ter um novo olhar
Sobre o que se ouve falar,
Sobre o que se vê...

...fazer mais que o esperado
E esperar mais do que se deve
Temendo somente a Deus
Quando se é o que se crê...



[1] Josué, cap. 2

[3] Hebreus 11.31

quinta-feira, março 10, 2011

Uma prece.

Toma, Senhor, minhas preocupações
Toma, Senhor, minha vida
Dirige, Pai, todas as minhas questões
Faze-me voltar à Tua paz

Porque sem forças não posso enfrentar
Todas as minhas batalhas
E todo medo que me faz parar
Também me leva a clamar

Oh Deus, Tu és grande e podes fazer
Tudo o que eu não consigo pensar
E eu só quero te obedecer
Um passo de cada vez quero dar

Sob minha vida estão Tuas mãos
Pra suportar os meus pesos
E sobre mim elas também estão
Para fazer do Teu jeito

Tanta vida pedindo atenção
Quero olhar com Teus olhos
E transformar o meu coração
Ajuda-me a ser alguém melhor

Hoje confio muito mais em Ti
Pois me mostras tanto amor e cuidado
Sei que ainda queres o melhor de mim
Mesmo sendo, esse melhor, tão fraco

Entrego a Ti, meu Deus,
todas as minhas preocupações e cuidados
Ao entender que a vida é mais
Do que o meu vestido e o meu prato...

Confesso, assim, meus erros e falhas
Minha insistente incorência nua
Aos Teus olhos revelo, Senhor, os meus atos
Pois almejo a semelhança Tua

Perdoa-me, liberta-me, ajuda-me
A somente ser aquilo que o Senhor quer
E a cada momento conhecer e ver
O DEUS que realmente és...

...muito acima de minhas crenças e idéias,
muito além do que os homens dizem que és
Hoje o meu absoluto e completo desejo,
Jesus, é viver aos Teus pés

Tão somente por desvendar
Teus atributos que me fazem sentir
Como alguém que sempre precisará
E, muito mais, desejará
Ser semelhante a Ti!












(Joseli Dias - 29/11/2005).

sexta-feira, março 04, 2011

A igreja dos homens e a Igreja de Deus.

(Enquanto lia um texto sobre eclesiologia hoje, me lembrei desse desabafo que escrevi quando tinha 19 anos, num momento de profunda lucidez a respeito da igreja - com "i", com "I", tanto faz...rs. Resolvi resgatá-lo aqui, por ocasião de senti-lo ainda tão realisticamente coerente. Só desiste da Igreja do Senhor quem não sabe o quanto ela lhe foi cara, custando a morte do Cordeiro, Jesus. Só insiste na igreja dos homens quem ainda não aprendeu a chorar pela preservação da Igreja santa que ele vem buscar...e que ele assiste a cada dia com profunda compaixão e ternura. A igreja do Senhor é a vida dele sendo relembrada no meu coração. Por ela choro e sofro. E com ela, sou acrescida de vida e ardente esperança!)



A igreja pode decepcionar.
Os homens podem fracassar.
Porque Deus denuncia o que está errado. Porque Ele revela o que está escondido.
O Senhor Jeová nos chama para debater, nos confrontar. E os Seus argumentos são melhores porque a Sua luz aclara e mostra onde estão os erros... E Ele nos enche de "ais".

Eu estava me perguntando como podemos encontrar o equilíbrio...balancear o nosso modo de agir mediante as falhas que residem em nós e nos outros? Tenho percebido que, quando não somos negligentes com os erros que incorrem na Casa de Deus, somos revoltados, religiosos e descrentes. Como não fechar os olhos para o mal que insiste em manchar o caráter dos filhos de Deus e conseguir, simultaneamente, conservar a comunhão inabalada? Como é possível, meu Deus, viver a unidade se os corações se fecham e não se usa a mesma linguagem? Como honrar o Teu nome, se o Teu trabalho, a Tua riqueza, o sustento da Tua casa e o nosso próprio senso de retidão não têm sido honrados?
Tudo o que tenho vivido nesses dias tem servido pra me mostrar a Tua misericórdia e a Tua justiça. Sempre vou me lembrar que, não importa a dor que tenhamos que experimentar, contanto que dessa nos resulte um novo valor para o temor agora desgastado. O temor que desgastamos com as nossas "próprias mãos", com os nossos próprios pensamentos e ações.
Muitas vezes sinto que queremos tomar a frente de Deus nas coisas que são Suas, totalmente Suas. É como se lançássemos mão de algo que não é nosso e usássemos como quiséssemos, nos sentindo no direito de agir assim. Outras vezes, a vaidade nos domina a ponto de acharmos que realmente merecemos ser considerados grandes servos, "ungidões" pelo fato de termos um relacionamento sincero com o Pai...se quando, na verdade, quando o temos, só podemos chegar à conclusão de que não somos nada diante da Sua dignidade e que só temos relevância pelo Seu amor, através da cruz.

Quando digo que a igreja decepciona, escrevo igreja com "i" minúsculo, pois me refiro à igreja que criamos e não aquela Igreja fundada por Jesus. É muito importante reconhecer a diferença entre elas. A Igreja que Cristo fundou nunca falirá, nunca morrerá, nunca perecerá. Mas a igreja que os homens criaram decepciona, frustra, diferencia, se envaidece, não se esclarece, se camufla, tangencia as grandes questões (e as pequenas também). Essa é a igreja com a qual insistimos em cobrir a integridade da Igreja do Senhor - essa é a igreja para qual migramos e achamos conforto para nossas debilidades e pecados. .
Cuidemos muito de nossa vida com Ele a fim de organizarmos Sua casa dentro de nós porque, se o interior estiver desarrumado, encoberto, violado ou fraudado, Ele não vai entrar...disso eu tenho absoluta convicção...e a sujeira não pode se acumular se não, só mesmo na aspereza, no "esfregão espiritual" é que o Pai irá tirá-la de nossas vidas.

Não é por sermos crentes que não temos que nos redimir. Embora salvos, sinceros e consagrados, precisamos nos lembrar sempre de quem somos e de quem é esse Deus com quem estamos tratando (quem é esse grande Deus com quem teremos de tratar Um dia!).

Na Igreja de Jesus, Deus olha para o culto enquanto os homens examinam seus corações. Na igreja dos homens, esses olham para o "culto" enquanto Deus só consegue enxergar o que há nesses corações. Isso acontece porque as prioridades são diferentes, a visão é diferente e o fundamento é diferente.
Cansei das meias palavras. Cansei de ignorar a realidade que é a igreja dos homens. A Igreja de Cristo é muito mais real e firme pra mim...mesmo que ela me obrigue a ir para o deserto, a me modificar, a desacreditar que sou mais ou até mesmo igual ao que os homens sempre me fizeram acreditar que era. A Igreja do Senhor me nivela pela minha vida e não pela minha aparência. A Casa de Deus me acolhe nos meus dias maus. A igreja dos homens exalta, mas não preenche. A igreja dos homens fala muito, mas não fala tudo. A igreja dos homens não é uma casa...é um tablado.
Eu não quero ser casa rebelde. Mas eu também não me interesso mais pela igreja dos homens...eu quero ser sempre Casa de Deus.



(Joseli Dias – 16/06/2004).




Arrematando de forma exemplar, trecho de A natureza e a tarefa da igreja*:


"Somente Deus sabe quem realmente crê. O ser humano é incapaz de identificar, sem margem de erro, o lobo disfarçado de ovelha (cf. Mt 7.15). Por isso, a verdadeira igreja está oculta. Como não se pode separar já agora o joio do trigo (Mt 13.24-30), a igreja antiga incluiu a igreja entre os objetos de fé: “Creio... na santa igreja cristã”. Aliás, esta fé na igreja não se compara à fé no Espírito Santo, que introduz o terceiro artigo do Credo Apostólico. Pois a confiança integral nós a depositamos não na igreja, e sim, no Deus triúno. A igreja não possui poder salvador por si mesma. Por isso, na verdade, não cremos na igreja, e sim, a igreja. É este o sentido do Credo, ou seja: nós cremos que a comunhão dos santos e verdadeiramente crentes existe, em meio e através de todas as denominações. A santa igreja cristã não é ilusão. É realidade, a despeito de possíveis evidências em contrário.

Portanto, há uma diferença entre a igreja que cremos e a igreja que vemos. Nenhuma instituição eclesiástica tem o direito de se igualar à primeira. Somente o juízo final vai revelar o verdadeiro rebanho do bom pastor (cf. Mt 7.21; 13.30). Todavia, isto não permite o desprezo às igrejas concretas que procuram trilhar a senda do discipulado. Pois a igreja verdadeira não existe à parte das instituições eclesiásticas. Está oculta em meio a elas. "

(Prof. Verner Hoefelmann – EST)



quarta-feira, março 02, 2011

Saudade de Deus (Marcos David Muhlpointner)


Hoje eu acordei com saudade de Deus.

Logo cedo, imediatamente depois de acordar, tentei entender esse sentimento. Então percebi que não sabia muito bem o que realmente significava a palavra saudade. A primeira atitude foi olhar no dicionário para saber se ele me ajudaria. Dito e certo! Parte da minha angústia estava resolvida: agora sei o que significa sentir saudade. Os eruditos que compilaram o dicionário que tenho escreveram que saudade é um “sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável”. Agora tinha que resolver outra questão: não quero conviver com essa melancolia.

Imediatamente depois de ler essa definição comecei a puxar da memória algumas “situações de privação da presença de alguém...”. DAquele alguém de quem estou sentindo saudades. Também pensei no “afastamento de um lugar...”. Daquele lugar em que Ele está e eu devo estar junto. Senti saudade “...de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável”. Experiências e prazeres que só a presença dEle pode proporcionar. E, à medida que esses pensamentos foram se apoderando da minha alma, fui levado a concluir, de modo incontestável, que sou parecido com aquele animal descrito pelo salmista: “Como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus.” (Salmo 42:1 – NVI).

O salmista estava familiarizado com esse animal e devia conhecê-lo muito bem. Provavelmente tinha ouvido seus gritos de ansiedade por água. Quem sabe algumas vezes o próprio salmista ajudou algum animal desse a encontrar água. E também, muito provavelmente, o salmista seguiu esse animal em busca de água. O fato é que o salmista estava se sentindo como a corça (ou cervo). A intensidade do sofrimento do salmista, a percepção da saudade de Deus era tão grande que o salmista teve que buscar na natureza algo para se expressar. O desejo do salmista era tão visceral, tão urgente, tão imediato que só a cena de um animal agonizando de sede servia para externar sua ânsia.

Será que nos sentimos assim com freqüência? Será que nossos sentimentos por Deus podem ser expressos da mesma forma? Temos consciência que precisamos de Deus diariamente, assim como precisamos da água para nos manter vivos? Temos nos alimentado de Deus diariamente? Ainda temos força para expressar nossa necessidade de Deus? Do que temos nos alimentado?

O salmista, nesse momento de saudade de Deus, afirma que tem se alimentado das suas próprias lágrimas (v. 3). Ora, uma pessoa que perambula pelo deserto em busca de água, jamais poderá se saciar com algumas lágrimas! Se a necessidade dele foi comparada a “águas correntes”, como ele se manteria vivo com suas próprias lágrimas? E o pior de tudo, as lágrimas são salgadas e isso aumentaria ainda mais a sede!!!

A comparação é perfeita. Um animal imponente, forte e garboso está sucumbindo e gritando, pedindo correntes de água para matar a sua sede. O cervo, acostumado a viver em regiões onde a água pode faltar, está num local que ele esperava encontrar água, mas ela não está lá. O salmista olha para si, percebe sua fragilidade, sabe que necessita de água em abundância. Depois de passar dias se alimentando de suas próprias lágrimas e ainda sentindo sede, vê suas esperanças morrerem. Ambos, homem e cervo, no último estertor de vida, clamam por água, por muita água, correntes de água, água em abundância.

Queridos, não nos basta um copo da presença de Deus diariamente. Não conseguiremos viver longe da Sua presença. Não nos restará vida em nós mesmos se formos negligentes na busca da comunhão com Ele. Se estivermos longe da Sua fonte, nossa alma morrerá à míngua, sedenta, árida. Ele não está longe, pelo contrário, está perto e nos incentiva a buscá-lO enquanto é possível achá-lO (Isaías 55:6). Nossa necessidade não é pequena. Nossos pecados nos afastam de Deus e por causa deles carecemos da Sua glória (Romanos 3:23). Ou buscamos a Deus todos os dias, com toda diligência, com amor e intenso desejo, ou morremos sem Ele eternamente.


Fonte: provoice.com.br



terça-feira, março 01, 2011

Meus reencontros...


Porque vida é feita, também, de coisas inevitáveis. Daqueles tipos de situações que jamais poderíamos prever ou precaver. Nem por isso se torna possível afirmar que todas essas coisas foram acidente ou constrangimento. Ao contrário, algumas dessas situações são a chave para uma nova perspectiva ou realidade. O interessante é que tudo se trata, mesmo, de uma seqüência de encontros e decisões.

A gente sempre tem oportunidade quando se dispõe. Mesmo que sejam aquelas respostas que nada têm a ver com o nosso interesse no momento, ou seja, assuntos que nem mesmo se relacionam ou sequer podem ser considerados como desdobramentos daquilo por que aguardamos com urgente expectativa. E são essas coisas que nos parecem tão banais que, muitas vezes, podem fazer desabrochar uma saída pra nossos apertos. Repare bem quando eu digo “uma saída” e não necessariamente a solução de alguns problemas. É que, a rigor, muitos problemas não são solucionados, não apresentam finalização, diagnóstico, fechamento. Não. Alguns vão “pro limbo” mesmo enquanto nos esquecemos deles. Mas estão lá, empoeirando, aguardando a morte definitiva...porque tudo que influencia o caráter de uma pessoa custa alguma coisa. O preço é tempo, planejamento, esforço, renúncia, dúvida, mudança, humilhação. Hum...tudo temperado com muitas batidas no peito, expressões emocionais e uma boa medida de seriedade. Até que alguma coisa ganhe sentido.

(Putting my records on...rs)


quarta-feira, fevereiro 23, 2011

As promessas que não me servem

Tem dia que tem que retirar o filtro. Parar de fingir que certas coisas não importam.

Na verdade, mesmo que a maioria delas não sejam lá tão importantes assim, incomoda a essência da atitude estranha e costumeira. E, assim, pode ficar pra amanhã ou mesmo pra nunca mais, pode significar uma grande mudança ou a postergação dos velhos hábitos, pode ser tanto a esperança de alguns – ou de muitos – como sua destruição. Quer saber? Tanto faz...as coisas podem ser ou produzir o efeito contrário, que a diferença não se ressalta, não parece ser tão ruim.

E, seguindo essa linha bem pragmática e conveniente, estou escolhendo não acolher promessas despretensiosas. E, se me julgarem descrente, podem cair no próprio cinismo... Porque, de fato, o que estou fazendo é dar o crédito pra quem quer que tenha me comprovado sua inabilidade em ser sincero no que diz. Sim, entendeu? Eu aposto fichas em quem, de maneira competente, fez valer sua alçada de “duvidoso”. E isso já me serve de algum mérito no desenrolar das minhas relações, não?

Bem, é simples. Se não podemos reverter as falas vazias de verdade e compromisso de alguns, então que desenvolvamos a capacidade de nos proteger das pegadinhas que nos aprontam displicentemente. Ora, sejamos então “jeitosos” com o que não soou bem nos ouvidos, façamos deles alguma coisa como que de mercador...não é tão difícil assim, vai...afinal, quem não experimenta o outro lado da moeda, hein? Quem já não sentiu na vida o doce gostinho de ser hipócrita e cara-de-pau? Ah tá...palavras duras, eu sei. Melhor amenizar. Tá...quem pode dizer que nunca sorriu amarelo e se constrangeu com si mesmo a respeito de sua desfaçatez? Pois então...sabemos que é fácil.

Pra facilitar a vida eu começo a entender que posso decidir a abdicar de tais promessinhas e palavrinhas banais que se ressaltam já num primeiro olhar ou leitura. Essas eu descarto logo de cara e rio delas. Daí começa a dificultar um pouco, mas não tem problema, com alguma atenção, logo os outros tipos já se demonstram empiricamente quando não dão resultado, não quantificam nada justamente por sequer terem sido implementadas. A gente conta até 10 pra não perder o costume e passar por amargurado e segue em frente tão logo entenda que já deveria ter acontecido algo que nunca existiu além da expectativa. E passa pro outro estágio, o mais difícil de todos.

Entramos em terreno estranho agora. No lugar oculto que vai além das intenções e dos méritos. Chegamos ao espaço da possibilidade e da plausibilidade. Aí sim é sinuca pra mente, coração e saúde. É um emaranhado só e nem adianta puxar a linha com pressa porque só piora o nó. São desejos já consumados, intenções já entregues e pedidos em avaliação. E não se podem julgar certas promessas até que se evidenciem como santas, sérias e eternas. São essas que podem nos servir de fato. E é a essas que a nossa fé deve permanecer em serviço.

O que vale é crer no Deus que faz a manutenção dos nossos filtros...